Solidariedade Vegan: projeto de João Gordo e Vivi Torrico entrega marmitas veganas para moradores de rua de São Paulo

A pandemia do coronavírus trouxe tristeza, apreensão, muita incerteza, mas também fez aflorar a solidariedade. E isso aconteceu principalmente porque o país vive uma fase muito complicada da economia, com incontáveis trabalhadores informais e gente morando em favelas e nas ruas. Com o isolamento, quem vive na rua ficou ainda mais vulnerável porque não tem como se isolar, nem o que comer, muito menos como manter a higiene. Mas, felizmente, todo dia a gente descobre iniciativas de pessoas que se dedicam a amenizar essa realidade e ajudar para que essas pessoas sobrevivam à COVID-19. O projeto Solidariedade Vegan – Marmitas Sem Crueldade é um belíssimo exemplo.

Junto com sua companheira, Vivi Torrico, o músico João Gordo (banda Ratos do Porão) criou um movimento lindo para oferecer marmitas veganas para moradores de rua de São Paulo. E ele explica que não é à toa que as marmitas não têm carne de nenhuma espécie:

“Nossas marmitas são veganas pois acreditamos que, além de um alimento acolhedor e saudável, queremos semear a energia de vida e o respeito e a sinergia com todos os seres do planeta”.

Na verdade, tudo começou por causa da loja Central Panelaço, no centro da cidade, também restaurante e que, segundo Gordo, desde o início “tem embasamento social, ajuda ONGs de animais, realiza exposições de arte para ajudar instituições de caridade”. Eles tiveram que fechar a loja por conta da quarentena e havia sobrado muitos salgados que iriam estragar.

Então, “a Vivi pegou tudo e foi entregar pro pessoal que mora lá perto, no Bixiga, levou tudo pro pessoal de rua, que tava passando muita fome. Esse pessoal que é viciado, que fuma crack e tal, eles tão sem usar a parada deles, e eles ficam super nervosos, cara, e fome junto. Ela voltou super sensibilizada, chorou pra caramba, e falou ‘A gente tem que fazer alguma coisa pra ajudar esse povo, cara'”’. 

Foi nesse dia que ela soube, por intermédio de um dos carroceiros com quem conversou, da existência do projeto Pimp My Carroça, do artivista Mundano (sobre o qual já falei aqui, em 2017, e, desde então, tenho divulgado suas iniciativas). E eles resolveram criar um projeto e se unir a Mundano em parcerias para também atender os catadores de materiais recicláveis.

Cada uma custa R$15. Eles custearam as primeiras marmitas para iniciar o movimento, mas, para mantê-lo vivo, dependem de parcerias e de doações. Já com um logotipo bacana, que exibe uma ilustração muito animada de João Gordo (abaixo), criaram uma página no Facebook e um perfil no Instagram (que, em dois dias, já tinha mais de 2 mil seguidores), e começaram a arrecadar dinheiro pela internet, falando com as pessoas que conheciam, do meio da música, do underground…

O rapper Marcelo D2 foi um dos que apoiou fortemente: apagou todos os seus posts pra deixar só um, no qual conta sobre o Solidariedade Vegan: “Mais do que nunca é tempo de nos unirmos, de espalharmos amor, de ajudarmos uns aos outros como podemos …⁣
⁣daqui pra frente eu vou usar as minhas redes pra ajudar gestos solidários como esse do meu amigo João Gordo a alcançar o maior número de pessoas possível…⁣” (veja o post de D2, no final deste post).

João e Vivi também criaram uma página de financiamento coletivo mensal – ou seja, a contribuição não tem data para acabar -, na plataforma do Catarse, com doações que vão de R$ 10 a R$ 100 e meta de R$ 50 mil mensais. “Tem bastante gente que colabora e de grão em grão a gente consegue. E outro dia recebemos uma doação de R$ 100 mil em embalagens!”.

Outras formas de ajudar? Pelo PayPal da Vivi (e-mail vivi.torrico@uol.com.br) e depósito na conta do João Gordo também. Eis os dados: Banco Itaú – Agência 3757 – Conta 04754-7 – João F. Benedan – CPF 101.471.468-01. Importante identificar que o depósito é a favor do Solidariedade Vegan.

João revelou que pretendia doar 80 refeições diárias entre abril e maio, mas, já no início de abril, a Solidariedade Vegan já oferecia 150 marmitas por dia. E, esta semana, foram além: chegaram a 200 marmitas, e celebraram muito nas redes sociais.

Mas há outras formas de ajudar como, por exemplo, doação de alimentos, embalagens e também na distribuição das marmitas. As equipes do Pimp My Carroça e do App Cataki (este, também uma iniciativa do Mundano) estão colaborando bastante na distribuição, seguindo todos os protocolos de segurança para evitar a circulação da COVID-19. 

“Máscaras, álcool gel e luvas bem como o cuidado de não formar aglomerações fazem parte da nossa etiqueta porque alimentar pessoas e nutrir corações em tempos duros é atividade essencial”, como está escrito no Instagram do Pimp My Carroça. Mundano gravou um vídeo pra mostrar esse procedimento de segurança, que o Solidariedade Vegan reproduziu em seu perfil também, assista no final deste post.

Sempre que tem doação de máscaras de proteção, eles as entregam para os moradores de rua, como também kits de higiene com água e sabão. Assim que começou a pandemia, Mundano fez campanha ensinando a montar esses kits e deixá-los disponíveis nas ruas para quem precisa.

Pra quem quer ajudar com divulgação e fazer parte do time do Solidariedade Vegan, o projeto propõe “transformar espaços que você frequenta em ponto de arrecadação”. Para isso, foi criado um modelo de cartaz que pode ser impresso e fixado em qualquer lugar “caso você queira iniciar uma turma de doadores no seu pedaço, principalmente condomínios e associações”. 

Acompanhe as redes sociais do Solidariedade Vegan – principalmente o Instagram – que sempre divulga informações atualizadas sobre as ações do projeto. E, por lá, você também pode fazer sugestões.

João segue na coordenação dos trabalhos do Solidariedade Vegan com Vivi, mas faz parte do grupo de risco nesta quarentena – está com pneumonia desde julho do ano passado -, por isso, está quietinho em casa e não coloca “o nariz pra fora casa”, de jeito nenhum.

Abaixo, está o post lindo de Marcelo D2, no Instagram, que ajudou a divulgar o projeto e o vídeo gravado pelo Mundano que mostra os procedimentos de segurança devido à COVID-19:

Foto: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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