Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, entra para lista do Patrimônio Mundial da Unesco

Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, entra para lista do Patrimônio Mundial da Unesco

O arquiteto e paisagista, paulistano de nascimento e carioca de coração, Roberto Burle Marx, acaba de ganhar mais um reconhecimento póstumo por mais uma de suas obras e legado deixado para o Brasil e o mundo: o sítio onde morava, na zona oeste do Rio de Janeiro, é a partir de hoje Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

A candidatura do Sítio Burle Marx ao título havia sido feita em 2015. Depois de um longo processo de análise, o anúncio da nomeação foi feito esta manhã pelo Comitê da Unesco, em Fuzhou, na China. A entrega do título deveria ter ocorrido no ano passado, mas por causa da pandemia, foi adiada para 2021.

“O reconhecimento confirma a importância da valorização dos bens culturais, históricos e naturais de nosso país… A inclusão na lista significa que estes bens tão especiais para o Brasil são também de “valor universal excepcional” para a humanidade. O Patrimônio Mundial é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas, buscando promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o planeta”, escreveu a equipe do sítio em suas redes sociais.

Foi em 1972 que Burle Marx começou a morar no sítio, um antigo engenho, na Barra de Guaratiba. Em pouco mais de 400 mil m² de área, entre a Mata Atlântica e os manguezais, o paisagista construiu jardins verdadeiramente brasileiros. Rechaçou a estética vigente na época que priorizava as plantas e os desenhos simétricos franceses e se debruçou sobre a beleza da nossa flora nativa.

Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, entra para lista do Patrimônio Mundial da Unesco

Hoje o sítio abriga uma das mais importantes coleções de plantas tropicais e subtropicais do mundo, que conta com mais de 3.500 espécies nativas e exóticas. 

O paisagista brasileiro é responsável pela criação do chamado Paisagismo Tropical Moderno. “Os atributos que fazem do Sítio Roberto Burle Marx um lugar único são justamente as composições artísticas dos jardins e o modo como as plantas foram organizadas. Como pinturas vivas, suas cores, formatos, volumes e formas escultóricas foram consideradas na composição de cada cantinho. Também é possível observar as características estilísticas de Burle Marx, tais como formas sinuosas, massas vegetais exuberantes, arranjos arquiteturais de plantas, contrastes dramáticos de cor, uso de plantas tropicais e a incorporação de elementos da cultura popular tradicional Luso-Brasileira”, explicam a equipe do local.

Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, entra para lista do Patrimônio Mundial da Unesco

Com o título recebido pelo Sítio Burle Marx, ele se junta à lista de alguns dos lugares mais lindos do planeta, visitados por milhões de turistas todos os anos, e considerados pela entidade como tendo inestimável valor significado para a civilização moderna.

É possível fazer visitas guiadas ao Sítio Burle Marx, onde além dos jardins, se conhece mais a história deste genial artista brasileiro, que também era pintor, desenhista, designer e escultor e cantor. O passeio inclui ainda o museu, que preserva 3.125 peças, entre raros objetos de arte e artesanato reunidos ao longo da vida do paisagista. Para agendamento, acesse este link.

Roberto Burle Max faleceu em 1994, aos 84 anos.

Abaixo mais fotos do Sítio Burle Marx:

Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, entra para lista do Patrimônio Mundial da Unesco

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Fotos: reprodução Facebook Sítio Burle Marx/Oscar Liberal/IPHAN

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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