Setembro de 2020 foi o setembro mais quente da história do planeta, com temperaturas e degelo recordes

Setembro de 2020 foi o setembro mais quente da história do planeta, com temperaturas e degelo recordes

A foto acima mostra o final de mais um dia de calor excruciante e clima desértico no Mato Grosso do Sul, com temperaturas que passam facilmente dos 40° graus. Para os brasileiros que vivem na região do Pantanal, devastada pelos incêndios nos últimos meses, o anúncio do Copernicus Climate Change Service, divulgado hoje, não deve ser uma surpresa: o mês passado foi o setembro mais quente da história do planeta.

A análise feita pela agência europeia revela que setembro de 2020 foi 0.05°C mais quente que o mesmo mês de 2019 e 0.08°C do que o de 2016, considerado até então um recorde. De acordo com o Copernicus, temperaturas fora do normal foram registradas na costa norte da Sibéria, no Oriente Médio e em partes da Austrália e da América do Sul.

E setembro só confirma um lamentável padrão que se estabelece para 2020. Cada mês deste ano tem ficado entre os quatro mais quentes para o mesmo período desde quando as medições começaram a ser feitas pelo serviço europeu em 1979.

Na Sibéria, em maio os termômetros marcaram temperaturas 10°C acima da média. E em junho, uma estação da região ártica observou a impressionante marca de 38°C.

Setembro de 2020 foi o setembro mais quente da história do planeta, com temperaturas e degelo recordes

Gráficos mostram as temperaturas recordes desde 1979

Em todo Ártico, a extensão de gelo em setembro de 2020 foi a segunda menor histórica.

“No entanto, isso não é totalmente inesperado, visto que a extensão do gelo marinho vem diminuindo há várias décadas e setembro é o mês que tende a apresentar os menores valores do ano. Além disso, o Ártico Siberiano continuou a ser anormalmente quente ao longo de 2020, com padrões climáticos responsáveis pelo calor na região do Sibéria”, ressaltam os meteorologistas do Copernicus.

Setembro de 2020 foi o setembro mais quente da história do planeta, com temperaturas e degelo recordes

Linhas vermelhas mostram a redução da extensão do gelo no Ártico

Não foi apenas o Pantanal brasileiro que sofreu com o setembro mais quente do planeta. Na Califórnia, os incêndios florestais já destruíram mais de 4 milhões de hectares de vegetação e outros estados da costa oeste dos Estados Unidos também foram afetados pelo fogo (leia mais aqui).

O país governado por Donald Trump, que desdenha do aquecimento global, enfrentou ainda uma série de furacões, que ano a ano, se tornam mais intensos e frequentes.

Leia também:
“A Mãe Natureza é física, biologia e química. A mudança climática é REAL. A discussão acabou!”, diz enfurecido, governador da Califórnia
Julho de 2020 foi o segundo julho mais quente da história do planeta
Planeta teve a década mais quente da história e 2019 foi segundo ano com mais altas temperaturas

Foto: Secom MS/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta