Senado dos Estados Unidos pode aprovar lei histórica para a proteção de espécies ameaçadas

Senado dos Estados Unidos pode aprovar lei histórica para a proteção de espécies ameaçadas

Em 1973, o governo dos Estados Unidos criou o Endangered Species Act, uma legislação que protegia espécies ameaçadas no país. Um dos primeiros animais a fazer parte da lista, por exemplo, foi o lobo-cinza,  praticamente dizimado em solo americano na década de 30, inclusive, com o apoio governamental, que incentivou a caça, uso de armadilhas e envenenamento.

Todavia, com o passar do tempo, o Ato das Espécies Ameaçadas provou-se insuficiente para proteger a fauna cada vez mais em risco naquele país. Críticos dele alegam que os recursos não eram suficientes e decisões e financiamentos estavam centrados no governo federal e não perto daqueles que realmente fazem o trabalho de conservação, ou seja, governos e organizações locais.

Mas agora essa realidade está muito próxima de ser mudada. Um projeto de lei, com apoio bipartidário – de Democratas e Republicanos, algo raro na política atual dos Estados Unidos -, acaba de ser aprovado na Câmara e segue para votação no Senado e ao que tudo indica deve ser aprovado.

O Recovering America’s Wildlife Act (RAWA), que conta com o apoio de várias das mais importantes organizações de proteção ambiental, como Alliance for America’s Fish and WildlifeAudubon, National Wildlife Federation e Nature Conservancy, prevê um orçamento de US$ 1,39 bilhão, por ano, ou seja, mais de R$ 7 bilhões, para a conservação da vida selvagem.

O objetivo é que o dinheiro seja encaminhado para estados, territórios e nações indígenas de acordo com a necessidade demonstrada e usados para ajudar a recuperar espécies ameaçadas de extinção e protegê-las antes que seja tarde demais.

“Isso representa uma quantidade transformadora de financiamento que pode fazer a diferença entre espécies em todo o país que terão o habitat necessário para prosperar ou estarão listadas como ameaçadas ou em risco de extinção”, afirma Amy Mcnamara, diretora do Programa de Natureza da organização Natural Resources Defense Council.

Nos Estados Unidos, mais de um terço de todas as espécies de peixes e animais selvagens correm um risco aumentado de extinção. Mais de 150 espécies já foram desapareceram e outras 500 não são avistadas há décadas.

“Nosso planeta está enfrentando uma crise de biodiversidade. Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção em todo o mundo – muitas dentro de décadas – a menos que sejam tomadas medidas para reduzir as atividades humanas que levam à perda da biodiversidade”, alerta Amy.

*Com informações do The New York Times

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Foto: Brad Smith/Natural Resources Defense Council

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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