Sementes plantadas por atletas nos Jogos Olímpicos começam a germinar

sementes dos atletas dos jogos olímpicos

Foi um dos momentos mais lindos da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro: milhares de atletas do mundo inteiro plantaram em totens sementes para serem germinadas e ficarem como um dos legados do evento na capital carioca. Foi uma das muitas mensagem por um futuro mais sustentável e verde para o planeta, como mostramos aqui neste outro post.

Agora, poucas semanas após o encerramento das Olimpíadas, as primeiras sementes (as mais apressadinhas) já começaram a germinar e mostrar suas primeiras folhas verdes. Elas estão todas num viveiro no município de Silva Jardim, no Norte Fluminense. Ao lado de cada grupo de sementes, está a bandeira do país responsável pelo seu plantio e a espécie a ele designada. Os atletas brasileiros ficaram com o pau-brasil.

sementes-atletas-jogos-olimpicos-comecam-germinar-800

Semente de pau-brasil, plantada pelos atletas brasileiros, começa a germinar

A ideia de distribuir sementes aos atletas olímpicos surgiu em 2014. “O Fernando Meirelles (cineasta e diretor artístico da cerimônia de abertura) nos procurou porque queria que os atletas fizessem o plantio das sementes durante os Jogos”, conta Marcelo de Carvalho Silva, diretor da Biovert, empresa de engenharia florestal e ambiental, que ficou responsável pelo projeto.

O trabalho de colheita e seleção das espécies de sementes durou praticamente dois anos, afinal foram distribuídas cerca de 15 mil delas. As 207 espécies escolhidas são todas nativas da Mata Atlântica e a maioria delas, endêmicas do Rio de Janeiro (que só existem lá). “Selecionamos pau-brasil, ipês (amarelo, roxo, rosa), jequitibá, jatobá, entre outras”, revela Silva. Também há sementes de árvores frutíferas, como cambucá, mamão-de-jaracatiá e pitanga.

sementes-atletas-jogos-olimpicos-comecam-germinar-2-800

Em setembro do ano que vem, as mudas serão plantadas na Floresta dos Atletas, em Deodoro

Quando tiverem um pouco mais de 50 cm de altura e estiverem mais resistentes (com raízes mais fortes), em meados de setembro de 2017, prevê Silva, as mudas serão levadas para Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo a Realengo, onde serão plantadas no que será futuramente a Floresta dos Atletas, uma área de aproximadamente 6 mil m2 , localizada entre o Parque Radical do Complexo Esportivo de Deodoro e o Maciço da Pedra Branca.

Até 2020, a Biovert será quem cuidará da manutenção das árvores. Silva acredita que a “floresta” começara a ganhar corpo daqui a uns seis anos. “Uma boa muda e um bom trabalho de plantio são garantia quase total de sucesso”, diz.

Se infelizmente, a promessa de que a despoluição da Baía de Guanabara como legado dos Jogos Olímpicos foi por água abaixo (perdoem-me o trocadilho, mas não resisti!), pelo menos a Floresta dos Atletas poderá levar mais ar puro e uma área verde para os moradores de Deodoro.

Fotos: divulgação Rio 2016 (cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos) e Marcelo Silva (Biovert)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta