Sem vacina, não tem torneio: a atitude vergonhosa de Novak Djokovic na Austrália e o péssimo exemplo que ele dá ao mundo

Sem vacina, não tem torneio: a vergonha de Novak Djokovic na Austrália e o péssimo exemplo que ele dá ao mundo

*Atualizado em 16/01/22
No domingo, 16/02, o caso da permissão de estadia de Novak Djokovic foi levado à uma corte da Austrália e os juízes decidiram pela deportação do tenista. Ele já deixou o país.
Segue abaixo o texto original da reportagem:

Ele é um dos maiores tenistas do nosso século. Aos 34 anos, o sérvio Novak Djokovic é um mestre nas quadras. Fora delas, tem demonstrado uma atitude vergonhosa. Em meio à maior crise recente de saúde enfrentada pelo mundo, a pandemia do novo coronavírus, ele bateu o pé e decidiu que não irá se vacinar contra a covid. Jovem, saudável e rico, ou seja, caso fique doente, as chances de ele ter uma doença grave são menores, ele simplesmente ignora a realidade ao seu redor: só até este momento, 5,5 milhões de pessoas já morreram e outras 320 milhões foram infectadas. Mas Djokovic parece não se importar.

A polêmica que acontece neste momento na Austrália não é a primeira. Em setembro do ano passado, o tenista organizou um torneio na Sérvia e na Croácia, com participação do público e ainda, interação com crianças, sem a obrigatoriedade do uso de máscaras. O resultado foi que não apenas Djokovi, como a esposa e outros três atletas testaram positivo para a covid após o evento.

Duramente criticado, ele pediu desculpas, todavia, manteve sua posição de que “era uma decisão pessoal” a escolha de ser imunizado ou não.

Diante de uma pandemia global, com um vírus altamente contagioso, ser vacinado não é uma decisão pessoal. Ao deixar de tomar a vacina, ele coloca em risco não apenas a própria vida, mas daquelas pessoas que convivem com ele, que podem ser infectadas.

Agora, na Austrália, Djokovic, novamente, não apenas bate o pé, como um menino mimado e teimoso, mas assina seu atestado de egoísta com o próximo. Ao desembarcar para participar do Aberto de Tênis, ele foi barrado na imigração e teve seu visto de entrada negado porque não apresentou o atestado de vacinação, obrigatório para todos os que chegam no país. Levado para um hotel de refugiados, em Melbourne, ficou lá por uns dias, até que seus advogados entraram na justiça, afirmando que o tenista tinha contraído a covid em dezembro e por isso, estaria isento de apresentar a prova de imunização (dias depois ele admitiu que não teria cumprido a quarentena imposta após sua infecção).

Liberado, o esportista foi para as quadras treinar para o evento. Mas hoje pela manhã, ele teve seu visto cancelado pela segunda vez.

“Hoje eu exerci meu poder sob a seção 133C(3) da Lei de Migração para cancelar o visto detido pelo senhor Novak Djokovic por motivos de saúde e ordem, com base no interesse público de fazê-lo”, afirmou Alex Hawke, ministro da imigração da Austrália.

Em nota, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, também deixou claro que é a favor da deportação do tenista, decisão essa que será tomada nos próximos dias. “Esta pandemia foi muito difícil para todos os australianos, mas nos unimos e salvamos a vida de muitos… Os australianos fizeram muitos sacrifícios e eles esperam que o resultado desses sacrifícios sejam respeitados”.

Novak Djokovic é uma celebridade. Um ídolo dos esportes para milhões de adultos e crianças no mundo inteiro. Para se colocar em perspectiva, no Facebook ele tem mais de 10 milhões de seguidores, mesmo número de fãs que possui no Instagram. O que ele faz ou deixa de fazer deveria servir de exemplo para essas pessoas que o admiram. Infelizmente sua postura é condenável.

Recentemente a Organização Mundial de Saúde alertou que o mundo não está sofrendo apenas com a covid, mas o que ela chama de “a pandemia dos não-vacinados: 90% dos doentes com casos graves da doença não tomaram a vacina“. E Djokovic contribui para essa triste realidade.

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Foto: reprodução Facebook Novak Djokovic

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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