Seis passos para ampliar a relação com a natureza dentro de casa

Estamos há um ano vivendo em nossas casas com muita intensidade. Sem poder estar do lado de fora. E, assim, estamos aprendendo a cada dia como é possível ampliar a relação com a natureza a partir do nosso lar.

Lembrando que moramos em um planeta vivo e que fazemos parte de sua comunidade viva, esse convite à introspecção que a pandemia está nos fazendo nos leva a perceber com muita clareza que a natureza está em toda parte. E que, quando nos dedicamos a observar e olhar para o mundo de forma apreciativa, amorosa e aberta, nossa vida fica mais diversa, mais cheia de vitalidade, mais alegre.

Por tudo isso, queremos compartilhar, aqui, algumas ideias de como é possível ampliar a relação com a natureza dentro da sua casa, no seu dia-a-dia. São dicas preciosas, que valem para toda a família, inclusive as crianças, claro!

1. Se alimentar bem

Foto: Markus Spiske/Unsplash

Você já parou para prestar atenção na sua alimentação? O que é que você come? Você prepara o próprio alimento? Você descasca mais do que desembala?

É pelo alimento que nutrimos nosso corpo de energia e que tomamos consciência de nossa conexão com toda a dinâmica viva da Terra. 

Os alimentos in natura, que você e sua família preparam juntos, são os melhores para a saúde.

Ingredientes de boa qualidade – se possível orgânicos – e preparados em conjunto, com calma e com carinho, fazem toda a diferença. Essa pode ser uma atividade muito divertida e encantadora.

Observar cada alimento, suas cores, suas formas, seu cheiro, pode até ser muito transformador e despertar um senso mais delicado de fazer as combinações entre eles.

Se brotar um sentimento de reconhecimento, de gratidão, nada melhor que expressá-lo de alguma forma que faça sentido para todos. Selecionar, comprar, descascar, picar, cortar, cozinhar, agradecer, servir e comer, eis verbos que garantem a nutrição de nossos corpos e de nossas almas.

2. Plantar

Foto: Neslihan Gunaydin/Unsplash

Acompanhar uma semente germinar é algo mágico. Você pode começar coletando as sementes dos alimentos que você come.

De que frutas e legumes você come e consegue retirar as sementes? Limão, laranja, pitanga, jabuticaba, abóbora, pimentão…

Coloque na terra, regue, coloque num local com sol. Dedique-se a acompanhá-la diariamente. 

Observar as primeiras folhas se desenvolvendo, o caule subindo da terra, perceber os movimentos, os tempos é encantador. 

Você também pode comprar sementes de alface, tomate cereja, temperos como salsinha, coentro e cebolinha, que são fáceis de cultivar.

Esta é uma experiência de muito significado quando colocamos em nossos pratos pelo menos um item que veio do plantio em casa, mesmo que seja em vasinhos perto da janela.

Faz muita diferença e ajuda a criar a consciência da conexão que temos com todo o ciclo de seres vivos. E conforme o interesse, sua horta caseira pode crescer até chegar a fazer mesmo uma diferença em relação ao que a família compra.

3. Cuidar dos resíduos

Restos de alimento para a compostura – Foto: Ben Kerckx/Pixabay

Você sabia que no Brasil cada pessoa gera 1,1kg de resíduos por dia? Por isso, convidamos você a refletir sobre a sua rotina e como é a quantidade de lixo que você gera por aí.

Pois saiba que existem alternativas para gerar menos resíduos.

Eu, Ana Carol, decidi que cuidar dos meus resíduos seria uma prioridade em 2021. Uma das ações que iniciei em casa foi compostar.

Como moro em apartamento não consigo ter uma composteira grande. Descobri que existe um tipo de compostagem sem minhocas e que usa microorganismos nesse processo. A compostagem acontece a partir de um farelo chamado bokashi.

Eu, Rita, tenho a composteira com minhocas há muitos anos. É um prazer enorme fechar o ciclo em minha própria casa. Os resíduos de alimentos que vão para a composteira são transformados em húmus que utilizo para adubar as minhas plantas.

Mas como a produção de humus é muito maior do que o que cabe nas minhas plantas, acabo doando para amigos e levando um pouco na horta comunitária que temos no bairro onde moro.

Além da compostagem da matéria orgânica precisamos pensar nos outros resíduos que levamos para casa na forma de embalagens e produtos. Após um curto período de utilização esses materiais são logo transformados em lixo.

O ideal é pensar nisso na hora da compra. E se perguntar: “Preciso mesmo desse objeto? Vou dar conta de destiná-lo corretamente quando ele não me interessar mais? Conheço os pontos de coleta para reciclagem em meu bairro?”.

Se fazemos a compostagem e colaboramos com a reciclagem sobra muito pouco para a coleta de lixo comum.

4. Cuidar do corpo

Foto: Renata Meirelles/Território do Brincar

Nossa relação com a natureza começa no nosso corpo. Somos natureza.

Brincadeiras ativas e atividades físicas são fundamentais, principalmente quando estamos o tempo todo em casa. Adultos e crianças precisam se movimentar. Cuidar para não ficar sentados por muito tempo.

Nosso corpo não se formou como é para estarmos sentados. Nosso corpo é bípede, precisamos usar os músculos cuja constituição se deu durante milhares de anos até a conformação atual. Nós não evoluímos como seres sentados!

Outro aspecto interessante para ser desenvolvido é a percepção sensorial dos alimentos. Normalmente estamos acostumados a prestar muita atenção no paladar e, óbvio, dar preferência para os alimentos que nos agradam no paladar. Mas depois de ingeri-los esquecemos das sensações daquele alimento no estômago.

Muitas vezes o agradável na boca se torna muito desagradável no estômago. Conhecer o seu corpo, cuidar para consumir aquilo que faz bem também para o estômago pode ser uma forma muito eficaz de se manter saudável.

O corpo sabe o que lhe faz bem, mas é preciso ouvi-lo!

5. Contemplar

beija-flor
Beija-flor – Foto: Sandro Von Matter

Observar e perceber atentamente a vida pulsando ao nosso redor.

Em meio a tantas tarefas de casa e trabalho, dedicar alguns minutos ao longo do dia para se conectar com o belo, com os movimentos do mundo, nos conectar com o divino.

O entardecer é um momento muito propício para esse aquietamento, que vem de forma natural se deixarmos nosso corpo e nossa alma dizerem que é importante fazer essa pausa.

Silenciar, contemplar o céu, as mudanças de cores, de temperatura, de atmosfera. O que está mudando? E por que? Como você sente essas mudanças também no seu corpo?

6. Reverenciar a vida

Flor de Lótus – Foto: Adriano Gambarini

Num contexto com tantas notícias tristes e emoções negativas como esse que estamos vivendo neste momento, celebrar a vida diariamente é um ritual que pode nos trazer esperança.

Convidamos você no final de cada dia, fazer uma pequena pausa e conversar com sua família, com quem compartilha a morada com você: Como é que a vida te encantou hoje? O que fez você se sentir vivo?

Foto (destaque): montagem com fotos de diversos autores (ver créditos no texto)

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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