Segundo agrotóxico mais usado no Brasil, 2,4-D aumenta riscos de mortalidade para peixes e aves

Segundo agrotóxico mais usado no Brasil, 2,4-D aumenta riscos de mortalidade para peixes e aves

No começo deste ano, organizações da área ambiental da Alemanha publicaram o relatório Pestizidatlas 2022 – (Atlas dos pesticidas 2022), em que traçaram um panorama do mercado bilionário dos agrotóxicos e seus impactos sobre o meio ambiente e a qualidade dos alimentos que consumimos. No levantamento, o Brasil é apontado como o terceiro país que mais usa pesticidas no mundo, vários deles altamente perigosos e proibidos na Europa.

E agora, há poucos dias, um grupo de pesquisadores brasileiros da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), publicou um artigo científico em que afirmam que o segundo agrotóxico mais utilizado nas lavouras do país, o 2,4-D (ácido 2,4-diclorofenoxiacético), aumenta o risco de mortalidade a animais expostos à substância, sobretudo vertebrados, como peixes e aves.

O herbicida 2,4-D é amplamente utilizado na agricultura para controlar ervas daninhas. “É aplicado diretamente no solo, em lagoas ou pulverizado nas plantações; assim, pode acumular-se progressivamente em compartimentos ambientais e afetar organismos não-alvo”, alertam os pesquisadores.

Os envolvidos na pesquisa fizeram uma meta-análise, combinando dados de 87 estudos prévios sobre o agrotóxico.

“Para que o resultado não fosse superestimado, consideramos os estudos que analisavam concentrações realísticas de 2,4-D, que não fossem nem muito baixas ou exageradas. E com isso vimos que as concentrações encontradas no meio ambiente estão de fato afetando os animais”, afirmou Ana Paula da Silva, principal autora do artigo, em entrevista à Deutsche Welle.

No caso dos peixes, os cientistas acreditam que a absorção à substância se dê a partir de mucosas e brânquias. “Mesmo quando o componente não chega ao ponto de ser letal para os animais, ele pode trazer outros danos, como no comportamento ou na reprodução, o que pode levar a um desequilíbrio ecológico”, revela Ana Paula.

Outros estudos anteriores já tinham demonstrado também os efeitos do 2,4-D sobre a saúde humana. Pessoas expostas a esse tipo de pesticida apresentam uma chance maior de desenvolver o linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer bastante agressivo.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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