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Roubadas araras-azuis-de-lear traficadas para o Suriname e que seriam repatriadas para o Brasil

Roubadas araras-azuis-de-lear traficadas para o Suriname e que seriam repatriadas para o Brasil

No final de julho, o Serviço Florestal do Suriname apreendeu 29 araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) e sete micos-leões-dourados (Leontopithecus rosalia), vítimas do tráfico de animais silvestres. Espécies brasileiras endêmicas e em risco de extinção, esta semana elas seriam repatriadas – trazidas de volta ao nosso país.

Na noite da terça-feira (22/08), um avião da Polícia Federal, com uma equipe de veterinários e especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) partiram para a capital Paramaribo. Após a coleta dos animais, o retorno aconteceria já no dia seguinte.

Todavia, para perplexidade de todos, na madrugada da segunda-feira (21/08), 23 das 29 araras foram roubadas (e uma escapou, voando). O crime foi informado pela Polícia do Suriname. Segundo a nota, as aves estavam alojadas numa garagem na cidade de Zanderji, a 60 km de Paramaribo. O roubo teria ocorrido entre 1h e 3h da madrugada.

De acordo com a Freeland Brasil, organização que trabalha pelo fim do tráfico de animais e esteve envolvida o tempo todo com o processo de repatriação dos animais, a hipótese de trabalho é a participação do tráfico internacional organizado.

“Esses animais podem atingir altos valores. A suspeita é que eles seriam vendidos na Europa, provavelmente para colecionadores, zoos particulares ou criadores”, revela a bióloga Juliana Machado Ferreira, diretora executiva da Freeland Brasil.

Reportagens da mídia local denunciam que pode ter havido envolvimento de pessoas ligadas ao governo do Suriname no crime.

As araras que restaram e os micos voltarão ao Brasil. Após um período de quarentena no Zoológico Municipal de Guarulhos, os sete micos passarão a fazer parte da população de segurança da espécie. 

“As populações de segurança são mantidas em instituições de manejo ex situ (fora do ambiente natural) nacionais e estrangeiras, onde todos os indivíduos têm sua origem e genealogia conhecidas, e são manejados de forma a garantir uma população viável do ponto de vista demográfico e genético, para liberação na natureza, onde e quando se julgar necessário”, disse em comunicado o ICMBio.

Já as aves serão levadas para o litoral de São Paulo, em Cananeia, para quarentena e avaliações. 

Tráfico internacional de aves silvestres

Estima-se que o mercado global de venda ilegal de aves silvestres movimente cerca de US$ 42,8 bilhões por ano. A taxa de mortalidade durante o transporte é alta, aproximadamente 90%. Pouco mais de 1% dos animais sobrevive. Pássaros são acondicionados das maneiras mais desumanas possíveis. Muitos são colocados dentro de canos de PVC, escondidos entre cargas. Não é surpresa então, que a maioria deles chegue morta ao destino final.

Um dos pontos que chamou a atenção de especialistas no caso do Suriname foi a idade das araras. Eles eram todos adultas.

“O tráfico mais comum é de ovos e filhotes”, explicou Juliana, na época. “Por isso é possível que esses animais tenham passado por várias etapas de cativeiro no caminho”.

Além disso, a quantidade de indivíduos era enorme. No último censo realizado em 2022 na Bahia, único refúgio da espécie no mundo, eram pouco mais de 2.200 mil dessas aves em vida livre (leia mais aqui).

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Foto de abertura: João Quental, CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

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