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Rios ficam laranja em áreas remotas do Alasca: fenômeno causado pela mudança climática pode ser visto do espaço

Rios ficam laranja em áreas remotas do Alasca: fenômeno causado pela mudança climática pode ser visto do espaço

Há anos cientistas têm alertado que o degelo no Ártico provocado pelo aquecimento global acontece em um ritmo muito superior ao resto do planeta. Um estudo de 2019 apontou que o derretimento na região teve uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas e há dois anos pesquisadores revelaram que o aumento da temperatura ao norte do Mar de Barents, entre a Noruega e a Rússia, é sete vezes maior ao registrado no resto da Terra. E no Alasca os rios estão mostrando o impacto dessa mudança através da cor da sua água, que se tornou laranja.

O fenômeno começou a ser percebido entre 2017 e 2018, quando cientistas notaram que em alguns locais, de áreas remotas, longe de qualquer atividade humana, inclusive mineração, a água que comumente tem uma coloração azul cristalina começou a ganhar um tom alaranjado, como se estivesse enferrujada.

Análises de amostras da água coletadas em 75 pontos de rios e riachos de Brooks Range apontaram uma redução do pH, com uma acidez mais alta, e indicaram a presença de metais como zinco, cobre, níquel, chumbo e ferro – este último, provavelmente, sendo o responsável pela coloração laranja.

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A principal hipótese levantada pelos pesquisadores do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, Departamento de Geologia e da Universidade da Califórnia, Davis, é que o derretimento do permafrost, a espessa camada de gelo do Ártico, que formou-se ao longo de milhares e milhares de anos, e em tese, pelo menos antes da crise climática, não derretia.

Todavia, sabe-se que as temperaturas anormais no continente têm causado o degelo do permafrost e ela acumula carbono orgânico e uma série de minerais, como os que podem ser vistos atualmente nos rios do Alasca. Com o derretimento, esses metais são expostos ao oxigênio, em um processo conhecido como intemperismo, que aumenta a acidez da água, os dissolvendo.

“Estamos acostumados a ver isso em partes da Califórnia, partes dos Apalaches onde temos história de mineração”, afirma Brett Poulin, professor de toxicologia ambiental na Universidade da Califórnia Davis. “Mas é muito surpreendente ver isso quando você está em uma das áreas selvagens mais remotas e longe de uma fonte de mineração.”

Rios ficam laranja em áreas remotas do Alasca: fenômeno causado pela mudança climática pode ser visto do espaço

Riacho em Brooks Range, ao norte do Alasca
Foto: Josh Koch / USGS

A preocupação dos cientistas é com o impacto desses minerais em peixes, outros organismos aquáticos – já foi registrada uma diminuição deles no solo dos rios -, e na água utilizada para beber pela população do Alasca.

“Quanto mais voávamos sobre áreas afetadas, começávamos a notar cada vez mais rios e riachos cor de laranja”, diz Jon O’Donnell, ecologista da Rede de Inventário e Monitoramento do Ártico do Serviço Nacional de Parques e autor principal de um artigo científico sobre o assunto. “A água com metais pesados pode ser problemática tanto em termos de ser tóxica, mas também podem impedir a migração de peixes para áreas de desova.”

O fenômeno, que é observado por satélites do espaço, é sazonal, documentado sobretudo nos meses de julho e agosto, verão no Hemisfério Norte, e quando o degelo do permafrost é maior.

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Foto de abertura: Ken Hill / National Park Service

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