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Rios estão aquecendo e perdendo oxigênio em ritmo mais rápido do que oceanos

Rios estão aquecendo e perdendo oxigênio em ritmo mais rápido do que oceanos

Sempre que se fala em impactos do aquecimento global sobre o meio ambiente, um dos principais apontados é o aumento da temperatura dos oceanos. Todavia, um novo estudo alerta que rios estão se aquecendo e perdendo oxigênio num ritmo muito mais rápido do que os oceanos.

De acordo com o artigo publicado por pesquisadores da Penn State University, em 800 dos rios dos Estados Unidos e da Europa analisados, o aquecimento ocorreu em 87% deles e a perda de oxigênio em 70%.

“Este é um chamado de alerta. Sabemos que o aquecimento do clima levou ao aquecimento e à perda de oxigênio nos oceanos, mas não esperávamos que isso acontecesse em rios rasos. Este é o primeiro estudo a analisar de forma abrangente as mudanças de temperatura e as taxas de desoxigenação nos rios – e o que descobrimos tem implicações significativas para a qualidade da água e a saúde dos ecossistemas aquáticos em todo o mundo”, afirma Li Li, professora de Engenharia Civil e Ambiental da Penn State e uma dos co-autoras do artigo da Nature Climate Change.

A previsão dos pesquisadores é ainda mais preocupante. Eles prevem que, nos próximos 70 anos, sistemas fluviais, sobretudo na região sul dos Estados Unidos, podem sofrer com períodos extremos de desoxigenação e há risco de uma grande mortandade de espécies de peixes.

“Se você pensar bem, a vida na água depende da temperatura e do oxigênio dissolvido, a tábua de salvação para todos os organismos aquáticos”, explica Li. “Sabemos que as zonas costeiras, como o Golfo do México, têm frequentemente zonas mortas no verão. O que este estudo nos mostra é que isso também pode acontecer nos rios, porque alguns rios não sustentarão mais a vida como antes”.

O impacto não será sentido apenas nesses ecossistemas, mas em toda a população local que vive ao redor desses rios. Vale lembrar, por exemplo, que o rio Colorado enfrenta uma seca histórica seríssima. Em 2023, três estados – Arizona, Califórnia e Nevada -, se comprometeram a retirar menos água dele para evitar que ele seque e deixe de abastecer populações de cidades como Los Angeles e Phoenix.

Cerca de 40 milhões de pessoas recebem água proveniente do Colorado em sete estados. Além disso, duas usinas construídas no rio fornecem eletricidade para milhões de residências e estabelecimentos comerciais.

Ainda de acordo com o estudo, rios urbanos demonstraram o aquecimento mais rápido, enquanto os agrícolas apresentam o aumento da temperatura da água mais lento, todavia, nesses últimos a desoxigenação foi mais rápida.

“Os rios são essenciais para a sobrevivência de muitas espécies, incluindo a nossa, mas têm sido historicamente negligenciados como um mecanismo para compreender as mudanças climáticas”, ressalta Li. “Esta é a nossa primeira visão real de como estão os rios em todo o mundo – e é perturbadora”.

*Com informações e entrevistas do site da Penn State University e reportagem do New York Times

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Foto de abertura: Deniz Fuchidzhiev on Unsplash

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