Ricardo Salles quer transformar museu do Jardim Botânico em hotel de luxo

Ricardo Salles quer transformar museu do Jardim Botânico em hotel de luxo

Eis mais uma decisão para a lista de maldades do anti-ministro do meio ambiente, Ricardo Salles. Ela foi divulgada – com exclusividade, pelo visto – pelo articulista Lauro Jardim, do jornal O Globo, neste domingo, 6/12, que declara já no início do texto: “O Rio de Janeiro vai ganhar um hotel-boutique em pleno Jardim Botânico“.

Não vai ganhar, não! Se depender da sociedade, o Museu do Meio Ambiente não será entregue à iniciativa privada para deleite de turistas endinheirados. Tanto que já circula um abaixo-assinado online. Por favor, assine já se você é contra mais esta arbitrariedade.

A nota diz que Salles visitou “o mais antigo Jardim Botânico da América Latina” na segunda-feira passada, 30/11, e “decidiu que o prédio que hoje abriga o Museu do Meio Ambiente, erguido no fim do século XIX, será concessionado à iniciativa privada”. Mais: “Salles já pensa em fazer outras concessões do mesmo tipo Brasil afora”.

Parece, até, que o antiministro é dono do patrimônio ambiental – e de tudo que se relaciona a ele – no país inteiro. Já não basta legitimar bandidos para que destruam florestas, quer entregar nas mãos de empresas o destino de unidades de conservação – que, em alguns poucos casos, pode ser uma solução – e de edifícios seculares.

Reação negativa

O Museu do Meio Ambiente é subordinado à presidência do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que, por sua vez, é uma autarquia pública federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Portanto, está sob os poderes de Salles.

A reação instantânea do público com a petição online e mobilizações de moradores do bairro do Jardim Botânico admiradores do museu em redes sociais, somada a algumas manifestações de políticos, certamente não será fácil o antiministro realizar seu desejo. Tomara.

Em seu Instagram, o ambientalista e deputado estadual Carlos Minc, que foi ministro do meio ambiente de 2008 a 2010, comentou:

“Não contente em ajudar a destruir a Amazônia e queimar o Pantanal, atando as mãos do Ibama e do ICMbio, o Sinistro Salles agora quer acabar com o Museu do Ambiente do Jardim Botânico, criado na gestão de Liszt Vieira, na época em que fui ministro do Meio Ambiente. (…) A destruição ambiental vai de mãos dadas com a destruição da memória cultural. Isso é um projeto de lobotomia fascista. Temos que resistir contra esse projeto demolidor! Nem Himmler, braço direito de Hitler, conceberia uma destruição tão impiedosa e devastadora”.

O controverso César Maiaex-prefeito do Rio de Janeiro e que acaba de ser eleito vereador – declarou, em seu Twitter, que vai elaborar um projeto de lei, junto à Camara Municipal, para reivindicar o tombamento do museu e impedir que Salles o transforme em hotel de luxo.

Referência internacional

O Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro é o primeiro museu da América Latina dedicado à temática socioambiental e, também, uma referência nacional e internacional na produção científica.

Inaugurado em julho de 2008 (ano da comemoração do bicentenário do Jardim Botânico), antes da pandemia oferecia ao público deste jardinzão amado pelos cariocas – cerca de 600 mil pessoas/ano – diversas iniciativas como “exposições, programas educativos e de debates”.

Sua missão é incentivar a “participação ativa, a construção conjunta de conhecimento da sociedade e do fortalecimento da cidadania” e ser um “espaço de diálogo com a sociedade sobre problemas, soluções, oportunidades, desafios e estratégias para a sustentabilidade da vida e das atividades humanas”, informa seu site. 

Mais: “contribuir para a conservação da biodiversidade e a viabilização da sustentabilidade na relação entre as pessoas e o planeta.

Impunidade

Antes de assumir o ministério a convite de Bolsonaro, Salles foi condenado pela Justiça paulista por alterar mapas de uma área de proteção ambiente para favorecer mineradora. No entanto, a impunidade tem dado forças para que ele continue em sua empreitada antiambiental.

Ele recorreu desse julgamento, que foi retomado no início de novembro, mas ainda depende da análise de dois juízes para ser finalizado. Ao mesmo tempo, o último pedido do Ministério Público Federal para o afastamento de Salles como ministro do meio ambiente foi recusado pelo juiz porque “não há prova cabal”.

O que mais é necessário Salles fazer para que seja condenado e afastado da função de ministro? Qualquer uma de suas decisões como ministro é prova mais do que suficiente de que ele não honra a pasta que dirige. Cito algumas: legitimar e apoiar desmatadores, em reunião ministerial, propor deixar “passar a boiada” enquanto a imprensa está distraída com a pandemia, extinguir regras de proteção ambiental do Conselho Nacional do Meio Ambiente (STF revogou decisão) e desestruturar órgãos de combate e fiscalização ambiental, entre outros.

Mas sabemos, bem, que Salles não foi escolhido por Bolsonaro para honrar a pasta do meio ambiente, mas, sim, para destruí-la. E sua competência para isso é inegável.

Resistência é o que a sociedade deve dar como resposta.

Assine a petição e espalhe seu protesto pelas redes sociais!

Foto: Raul Ribeiro/Divulgação Museu do Meio Ambiente

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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