Ricardo Salles, o pior ministro do meio ambiente do Brasil, deixa o governo

Ricardo Salles, o pior ministro do meio ambiente do Brasil, deixa o governo

Ricardo Salles não é mais ministro do Meio Ambiente. Foi exonerado por Bolsonaro esta tarde, ato já confirmado por edição extra do Diário Oficial da União (DOU), que ainda anunciou sua substituição por Joaquim Álvaro Pereira Leite, secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério.

Ao que tudo indica, a exoneração se deu a pedido do próprio Salles, que alegou problemas familiares para deixar o cargo. Foi o pior ministro do meio ambiente da história do Brasil porque este é o pior governo da história da democracia brasileira.

Suspeito é pouco

Salles já vai tarde! E não há nada a comemorar. Como declarou o Greenpeace: “é tudo farinha do mesmo Salles!”.

Ele já deveria ter sido afastado do cargo. Mas seu pedido de demissão pode ser uma estratégia para fugir da Justiça: agora, como ele não é mais ministro, as investigações vão para a Primeira Instância.

Salles é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Num deles é suspeito de nove crimes.

O primeiro, diz respeito à acusação, pela Polícia Federal, de favorecer empresários do setor madeireiro a partir da alteração das regras de fiscalização, com o intuito de facilitar a regularização de cargas apreendidas no exterior.

O segundo investiga a tentativa de atrapalhar a investigação da maior apreensão de madeira do Brasil, realizada pela Operação Handroanthus chefiada pelo delegado da PF Alexandre Saraiva. Salles criticou a operação e Saraiva entrou com notícia-crime no STF, contra o ministro. O delegado foi afastado do caso.

Sem falar que ele é o grande responsável pelo avanço do desmatamento na Amazônia. Salles sai do governo como entrou: respondendo a processos. Quinze dias antes de receber o convite de Bolsonaro para assumir o MMA, ele foi condenado pela Justiça paulista por improbidade administrativa, acusado de alterar mapas de Área de Proteção Ambiental para favorecer mineradora.

No ano passado, o caso foi finalmente julgado e Salles, absolvido. Salles certamente acredita na impunidade. Faz sentido porque ela só cresceu com o governo Bolsonaro. Aguardemos.

O substituto

Joaquin Álvaro Pereira Leite já dirigiu o Departamento Florestal. Além disso, é muito próximo ao, agora, ex-ministro. Portanto, é garantia da continuidade da politica anti ambiental do governo, muito bem implementada desde janeiro de 2019.

O novo ministro ainda foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) por 23 anos e trabalhou em empresas de consultoria e do setor farmaquímico. Baita currículo!

Vale lembrar que a SRB publicou nota de apoio a Salles quando ele declarou, em reunião ministerial, que todos deveriam “deixar passar a boiada”, enquanto a imprensa se ocupava da pandemia.

Cortina de fumaça?

A demissão de Salles – que desde a primeira suspeita deveria ter sido afastado do cargo! – também parece ser mais uma medida tomada pelo governo como “cortina de fumaça” devido aos escândalos revelados pela CPI da Pandemia, que tem revelado detalhes da compra da vacina indiana Covaxin, que incriminam o presidente.

E as coisas andam quentes em Brasília com a presença de mais de 800 indígenas, que estao acampados desde 8 de junho para pressionar sobre decisões importantes que podem interferir em seu futuro.

A primeira é a votação do PL 490, na Comissão de Constituição, Justica e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, ocorrida há pouco, que interfere na demarcação das terras indigenas, favorecendo a exploração predatória.

A segunda é o julgamento que versa sobre caso de terra indígena do povo Xokleng, que tem caráter de Repercussão Geral, portanto, vai incidir sobre as demarcações também.

O julgamento foi iniciado em 11 de junho, mas suspenso minutos depois devido a pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, e será retomado no dia 30.

Leia também:
– https://conexaoplaneta.com.br/blog/pgr-envia-pedido-de-abertura-de-inquerito-para-investigar-o-ministro-do-meio-ambiente-ricardo-salles/
– https://conexaoplaneta.com.br/blog/ricardo-salles-e-alvo-de-operacao-da-policia-federal-autorizada-pelo-stf-presidente-do-ibama-foi-afastado/
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– https://conexaoplaneta.com.br/blog/deputados-tentam-reverter-medida-de-salles-que-dificulta-aplicacoes-de-multas-ambientais/

Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “Ricardo Salles, o pior ministro do meio ambiente do Brasil, deixa o governo

  • 23 de junho de 2021 em 10:32 PM
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    Há alguma esperança? Este governo, está “família”, 480 parlamentares liberando geral os gastos públicos! Os direitos humanos… Tudo que podem destruirem, de tantas conguistas, para tornar o Brasil uma Nação justa e soberana.
    Pareceres e caneta… Maioria a favor de normas ideológicas contra a própria Lei!?
    Onde chegou este esquema, disfarçado de democracia.

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