Respiradores desenvolvidos por pesquisadores da USP têm produção rápida e custo 90% menor do que similares

Respiradores desenvolvidos por pesquisadores da USP terão produção rápida e custo 90% menor do que similares

Enquanto os números da pandemia do coronavírus só crescem mundialmente, nesta terça-feira já passaram de 800 mil casos de COVID-19 confirmados, com quase 40 mil mortes, no Brasil, onde a crise está apenas começando, há uma preocupação de garantir que existam leitos e equipamentos suficientes para o tratamento dos futuros pacientes, como por exemplo, respiradores mecânicos.

Em São Paulo, uma equipe de professores e alunos de diversas áreas da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveu um projeto de um ventilador pulmonar emergencial para suprir a possível demanda do aparelho hospitalar.

Batizado de Inspire, o protótipo do respirador foi produzido atendendo todos os requisitos Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com componentes facilmente encontrados no mercado brasileiro. Todavia, uma de suas principais vantagens é o custo estimado de 1 mil reais, em comparação à média de 15 mil para um similar.

Além disso, os pesquisadores garantem que a produção pode ser começada em breve e que em um período curto, será possível entregar milhares desses ventiladores. Segundo o time da Poli, o tempo total de fabricação do ventilador é inferior a duas horas.

“É uma demanda crítica e pontual, e depois essa tecnologia poderá ser usada em áreas remotas, em que um hospital não esteja próximo”, explica Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e um dos coordenadores do projeto.

Lima ressalta que diante do cenário de muita demanda por ventiladores, visto em outros países que enfrentam o pico da pandemia nesse momento, como Itália, Espanha e Estados Unidos, os fabricantes já existentes desses produtos terão dificuldade em importar componentes usados em sua produção.

“Nosso objetivo é criar uma resposta rápida para uma crise provável”, afirma o engenheiro.

Apesar do desenvolvimento de protótipo estar concluído e pronto para ser produzido, ele continua em constante aprimoramento, já que é o que se chama de um “projeto aberto”: outros pesquisadores do país podem submeter sugestões de melhoria para o Inspire (o projeto está disponível no repositório GitHub, sob a licença CERN-OH-V2 – Cern Open Hardware V2).

Para aqueles que querem contribuir financeiramente para a iniciativa da equipe de pesquisadores da USP, é possível ajudar através do site Vakinha. Até este momento, já foram arrecadados quase 150 mil, da meta inicial de 70 mil. O dinheiro será usado para pagar os custos do projeto e seus testes.

Respiradores desenvolvidos por pesquisadores da USP terão produção rápida e custo 90% menor do que similares

Estimativas feitas por especialistas de saúde para o uso de respiradores durante a pandemia de coronavírus no Brasil

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Foto: reprodução Projeto Inspire e gráfico reprodução Jornal da USP

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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