Reino Unido anuncia pacote de auxílio de £1,5 bilhão ao setor de cultura para enfrentar prejuízos pós-pandemia

Reino Unido anuncia pacote de auxílio de £1,5 bilhão ao setor de cultura para enfrentar prejuízos com a pandemia

Depois da educação, a cultura. Há cerca de duas semanas, o primeiro-ministro do Reino Unido anunciou um fundo de £1 bilhão para ajudar estudantes a recuperar o conteúdo perdido durante o fechamento de escolas durante a pandemia da COVID-19. Agora, no último domingo (05/07) foi a vez da divulgação de um plano de auxílio ao setor cultural.

O pacote de £1,57 bilhão, pouco mais de R$ 10 bilhões, será destinado a galerias de arte, teatros, salas de cinema independentes e casas de música e shows. O dinheiro será distribuído através em forma de doações ou empréstimos.

“Esse dinheiro ajudará a proteger o setor para as gerações futuras, garantindo que grupos artísticos e estabelecimentos em todo o Reino Unido possam sobreviver e apoiar seus funcionários enquanto suas portas e cortinas permanecem fechadas”, afirmou Boris Johnson.

O anúncio da ajuda feito pelo governo britânico acontece alguns dias depois de 1.500 artistas e centenas de organizações do setor terem protestado e pressionado as autoridades a tomar uma atitude. Em uma carta aberta, com o título de #LetTheMusicPlay, que teve entre seus signatários Paul McCartney, Dua Lipa e as bandas Cold Play e Rolling Stones, o grupo exigiu ações imediatas para evitar “danos catastróficos” na indústria da música após o confinamento social imposto pela pandemia do coronavírus.

Fechados desde março, os museus da Inglaterra puderam reabrir suas portas no final de semana passado, mas a permissão ainda não foi estendida para casas de shows e teatros.

Apenas o mercado da música movimenta no Reino Unido aproximadamente £4,5 bilhões por ano e emprega 210 mil pessoas. É o terceiro maior setor da economia inglesa, ficando atrás somente do financeiro e de petróleo e gás.

“Esta notícia é realmente bem-vinda no momento em que tantos teatros, orquestras, casas de entretenimento e outras organizações artísticas enfrentam um futuro tão sombrio. É fundamental que o setor cultural da Grã-Bretanha seja restaurado à saúde o mais rápido possível para que todos os teatros – grandes e pequenos – sejam abertos o mais breve possível”, disse o produtor teatral Andrew Lloyd Webber.

Outros países europeus também já anunciaram pacotes de resgate para a cultura. O Parlamento da Alemanha aprovou um plano de € 1 bilhão na semana passada e a França destinará € 5 bilhões. Já a Holanda prometeu € 600 milhões.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro sancionou há poucos dias um auxílio financeiro de R$ 3 bilhões para o segmento cultural. O valor será repassado, em parcela única, para estados, municípios e Distrito Federal, responsáveis pela aplicação dos recursos.

O dinheiro deverá ser empregado no pagamento de três parcelas de R$ 600 mensais para os trabalhadores da área, além de um subsídio, que pode variar entre R$ 3 mil e R$ 10 mil para a manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas, cooperativas e organizações comunitárias.

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*Com informações da assessoria de imprensa do Governo do Reino Unido

Foto: divulgação Royal Albert Hall

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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