Registro de enorme grupo de baleias-fin se alimentando na Antártica traz esperança para segundo maior animal do planeta

Registro de enorme grupo de baleias-fin se alimentando na Antártica traz esperança para recuperação do segundo maior animal do planeta

Medindo mais de 20 metros de comprimento e pesando até 70 toneladas, as baleias-comuns, também chamadas baleias-fins (Balaenoptera physalus) estão entre os maiores animais do planeta. Só ficam atrás das baleias-azuis (Balaenoptera musculus). Caçada praticamente até ser extinta, a espécie deixou de ser observada em regiões do planeta como a Antártica. Estima-se que restou-se somente 2% de sua população original no começo do século XX.

Todavia, com a proibição da atividade baleeira a partir da década de 70, esses cetáceos começaram a se recuperar gradativamente. E pela primeira vez, pesquisadores anunciam com muita alegria o registro de dezenas de baleias-comuns no continente antártico.

Em artigo divulgado recentemente na publicação internacional Scientific Reports, cientistas alemães e britânicos revelam que, durante expedições realizadas em 2018 e 2019, foram avistados grupos enormes, com muitas baleias se alimentando na Antártica.

Com a ajuda de drones e imagens feitas por helicópteros foi possível contabilizar até 150 indivíduos juntos. A estimativa é que até 8 mil baleias estavam nas águas do continente gelado.

“Essa densidade e a recorrência das chamadas agregações alimentares, que não são observadas desde o início da caça às baleias, sugerem que a população está se recuperando”, afirma Helena Herr, pesquisadora associada da Universidade de Hamburgo e principal autora do artigo.

Para ela, isso prova o sucesso da proibição da caça à baleia. A especialista ressalta ainda que o retorno desses animais à Antártica traz outros benefícios importantes no ecossistema: as excreções das baleias-comuns criam mais nutrientes nas camadas superiores da água, especialmente ferro, que por sua vez impacta positivamente outros organismos.

Registro de enorme grupo de baleias-fin se alimentando na Antártica traz esperança para recuperação do segundo maior animal do planeta

As baleias-fin podem ter mais de 20 metros de comprimento
(Foto: Dan Beecham)

Classificadas atualmente como “vulneráveis à extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), as baleias-fins se alimentam de pequenos crustáceos, semelhantes a camarões, chamados de krills, além de cardumes de peixes.

Estes animais gigantescos vivem entre 70 e 80 anos e as fêmeas têm apenas um filhote por ano. A população global da Balaenoptera physalus gira em torno de 100 mil indivíduos, na grande maioria encontrados no Hemisfério Norte.

Registro de enorme grupo de baleias-fin se alimentando na Antártica traz esperança para recuperação do segundo maior animal do planeta

Graças à proibição da caça às baleias, esses animais majestosos voltaram à Antártica
(Foto: Helena Herr)

*Com informações da Universität Hamburg

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Foto de abertura: Helena Herr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.