Rede Maniva apoia agricultores familiares no Amazonas

Iniciativas de valorização da agricultura familiar agroecológica têm mostrado potência nesse momento de Brasil. Aqui, no Conexão Planeta, tenho apresentado iniciativas, redes e movimentos que revelam a força da sociedade civil nesse processo de incentivo e apoio aos produtores de alimentos durante a pandemia.

Hoje, quero apresentar a Rede Maniva de Agroecologia (REMA), localizada no estado do Amazonas, que tem promovido uma campanha permanente para garantir a segurança dos agricultores e agricultoras no período de contágio da Covid-19, buscando viabilizar o transporte de alimentos do campo para a cidade e promover a distribuição aos consumidores.

Em conjunto com os movimentos CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) e o Slowfood, a REMA apoia 80 famílias de agricultores por meio da campanha Sem agricultores não há alimentos.

Além de viabilizar o transporte dos alimentos do campo até a cidade e distribuir aos consumidores, a campanha também aceita doações de máscaras, álcool em gel, álcool 70% e outros equipamentos de proteção individuais. A meta é arrecadar R$ 120 mil.

Assim, a REMA tem possibilitado que famílias de agricultores e agricultoras de orgânicos consigam vender seus produtos e, ao mesmo tempo, se manter seguros, já que muitos deles estão em grupos de risco da Covid-19.

A Rede Maniva de Agroecologia

Escrevi breve e recentemente sobre a REMA em um post publicado neste blog. Trata-se de um movimento social formado por agricultores, técnicos, estudantes, consumidores e organizações com o objetivo de promover a agroecologia e a produção orgânica no estado do Amazonas.

A Rede Maniva é também o único OPAC (Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade) da região Norte do Brasil. Uma espécie de certificadora coletiva, que conta com a participação de produtores agrícolas, técnicos e pessoas que, coletivamente, atestam que os alimentos são orgânicos.

A certificação participativa é prevista na legislação brasileira e é mais justa com os agricultores familiares, que muitas vezes não possuem recursos financeiros para remunerar uma certificação por auditoria de empresa.

Também fruto da atuação da Rede e da Comissão de Produção de Orgânicos do Amazonas (CPOrg Amazonas) é a possibilidade de inclusão do pirarucu, peixe amazônico, como produto passível de certificação orgânica junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento).

O Ministério está revisando a Instrução Normativa 17 – INC 17, que regula o extrativismo sustentável orgânico, e o manejo de pirarucu deve ser incluído na lista de atividades, atendendo  à demanda de entidades e comunidades envolvidas no manejo extrativista do peixe no estado do Amazonas.

“O manejo do pirarucu estava sendo excluído dessa política pública. Como é um peixe, estava sendo coberto pela Instrução Normativa relativa a pescados. Mas trata-se de um produto manejado em lago, não pescado”, conta Marina Yasbek, uma das coordenadoras da Rede Maniva. “Essa inclusão na INC 17 é muito importante para as comunidades, porque o pirarucu tem um mercado grande no exterior interessado nessa exportação, mas todos querem o selo orgânico, a rastreabilidade. O pirarucu, que é o maior peixe do mundo, gera renda para comunidades tradicionais, que fazem esse manejo no lago e, ao mesmo tempo, protegem tudo ao redor”.

Fotos: Divulgação/Rede Maniva (a segunda foto foi feita antes da pandemia, por isso as pessoas estão sem máscara de proteção)

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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