
Melancia já está perdendo as manchinhas brancas de seu corpo, características dos filhotes de antas. Afinal, já se passaram mais de oito meses depois que, com poucos meses de vida, ela foi encontrada sozinha pela equipe do Onçafari. A filhotinha, mais uma vítima dos incêndios que atingiram várias regiões do Pantanal em 2024, estava muito debilitada e desidratada. O pior de tudo eram as graves e profundas lesões nas patas, com queimaduras de segundo e terceiro graus.
Ao longo dos últimos meses, temos acompanhado o progresso de Melancia. Mostramos, por exemplo, como durante seu tratamento, em que recebeu cuidados veterinários intensivos diariamente, foi usada pele de tilápia para ajudar na cicatrização de suas patas. Na época, a filhote estava em uma base do Onçafari no Pantanal Sul, localizado no refúgio ecológico Caiman, no município de Miranda (MS).
Quando começou a demonstrar sinais de melhora, a jovem anta foi levada para o recinto de reabilitação de outra propriedade da organização, a Reserva Santa Sofia, bem próximo dali. Com uma área de 2.500 m2 e vegetação pantaneira, ela tem espaço de sobra para explorar o ambiente natural e se desenvolver.
No local, há também um açude, onde Melancia tem demonstrado sua habilidade de natação (assista vídeo mais abaixo). Filhotes de antas já conseguem nadar com poucos dias de vida. A presença da água é muito importante para a espécie. Além de usá-la para se refrescar, quando se sentem ameaçadas, elas podem se refugiar ali para escapar de predadores. Excelentes nadadoras, podem ainda caminhar no fundo dos rios e se manter submersas por vários minutos, sem subir para respirar.
Apesar de ter existido um certo temor de que Melancia, por ter sido resgatada ainda filhote, com sérias queimaduras, não pudesse ser reintroduzida na vida selvagem, ela tem crescido forte e saudável, e há esperança de que ela possa, eventualmente, retornar à vida livre.

quando começa a deixar de ser uma filhote
Fotos: divulgação Onçafari
A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Pode pesar entre 200 e 300 kg. Herbívora, ela é conhecida como jardineira da natureza pois, ao se alimentar dos frutos das árvores e arbustos, espalha as sementes pelo caminho.
No mundo todo, existem quatro espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central), a anta-malaia (Indonésia), além da T. terrestris observada em vários países da América do Sul. Todas estão ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, (IUCN na sigla em inglês).
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Foto de abertura: divulgação Onçafari




