Recicla ou não recicla? O que fazer com a caixa de pizza usada?

caixa de pizza

É muito comum encontrar na mídia a informação de que caixas de pizza com manchas de gordura não podem ser recicladas. Na verdade, elas podem, sim! Sacos de papel de padaria também. A gordura pode atrapalhar um pouco o processamento do material, mas não inviabiliza a reciclagem, explica o professor Jackson Roberto Eleotério, do Laboratório de Processos de Industrialização da Madeira, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Regional de Blumenau (Furb). A única ressalva prevista em lei é que embalagens de papel pós-consumo já recicladas não devem entrar em contato com alimentos.

A determinação está na portaria 1.304, de 29 de junho de 2016, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nela consta que embalagens que tiveram contato com alimentos podem ser recicladas, mas para outros usos. Então, a caixa de pizza engordurada pode ser reciclada e transformada em uma caixa de papelão de uso genérico, e não novamente em uma caixa de pizza.

Como a maioria das cooperativas de reciclagem não coleta caixa de pizza usada, é preciso se informar com a que existe na sua cidade para saber como proceder melhor. Em Joinville, Santa Catarina, a cooperativa de coletores de materiais recicláveis recolhe, prensa e vende a caixa de pizza engordurada, mas ela não pode conter restos de comida (apenas gordura).

Se a cooperativa de reciclagem da sua cidade não aceita caixa de pizza usada, você pode separar a parte limpa e destinar apenas esta para a reciclagem. O papelão, especialmente o ondulado, tem alta reciclabilidade, o que significa que este material vale muito para a indústria.

E o que fazer então com a parte engordurada? A melhor solução é a compostagem, processo em que materiais orgânicos, como restos de comida, podas de árvores e derivados de madeira, são transformados em adubo. Recomenda-se cortar a caixa em pedaços menores e enterrá-la ou colocar na composteira seca.

A compostagem também vale para sacos de papel de padaria, guardanapos e toalhas de papel usados, que costumam ter um pouco de gordura. Papel com tinta também pode ser compostado, se a tinta for à base de petróleo ou carbono (tonner), afirma o professor Jackson. Neste processo, o importante é que os papeis estejam o mais livre de comida possível, pois não dá para compostar alimentos cozidos (em grande quantidade), doces e carnes.

Outra solução é ir buscar a pizza com seu próprio recipiente. Quando vou à pizzarias, já separo meu pote numa sacola ecológica para trazer os pedaços que sobram. Quanto ao guardanapo, carrego sempre comigo um de pano, que serve para limpar e também para embrulhar algum salgado comprado na rua. Esta é uma forma de praticar o primeiro “R”: recusar o que vai se tornar resíduo. Assim, diminuímos a demanda por produção, contribuímos para a conservação dos bens naturais e a pizza fica mais gostosa.

Foto: domínio público/pixabay

Letícia Klein

Jornalista e técnica em Meio Ambiente, a catarinense é Embaixadora da Juventude Lixo Zero Blumenau e membro da Juventude Lixo Zero Brasil. Escreve sobre sustentabilidade e preservação ambiental no blog pessoal Sustenta Ações , em que busca contribuir para um mundo mais verde e consciente

3 comentários em “Recicla ou não recicla? O que fazer com a caixa de pizza usada?

  • 15 de janeiro de 2021 em 9:10 PM
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    Olá, muito bacana a reportagem, me esclareceu dúvidas que tenho já faz tempo. Tenho outra dúvida, para otimizar o espaço dos sacos que guardo os recicláveis até o dia da coleta, eu costumo rasgar as embalagens em pedaços menores principalmente papelão, assim como amassar garrafas e latas. Isso pode inviabilizar o processo de reciclagem ou dificultar o serviço lá na hora da cooperativa?
    Abraços e novamente, valeu pelas infos.

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  • 1 de março de 2021 em 3:31 PM
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    Olá, muito interessante o texto, uma nova visão sobre materiais engordurados que acabam representando uma parcela significativa daquilo que usualmente consumimos. Gostaria de saber se vocês tem alguma fonte, trabalho do professor Jackson nessa temática, para fins de aprofundamento sobre o tópico e trabalho de divulgação. Atuo como parceira-apoiadora do Comitê de Solidariedade aos Catadores de Campinas-SP e estamos em processo de formação/conscientização sobre atitudes cotidianas e impacto na triagem e reciclagem dos materiais.

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