Rato farejador recebe medalha por bravura na detecção de minas terrestres no Camboja

Desde os anos 1990, a instituição belga APOPO (Anti-Persoonsmijnen Ontmijnende Product Ontwikkeling, em tradução livre: Desenvolvimento de Produto de Remoção de Minas Terrestres Antipessoal), baseada na Tanzânia, treina ratos e cachorros para detecção de odores para que farejem minas terrestres e tuberculose, respectivamente.

Hoje, mais de 60 países escondem minas terrestres e outros resíduos explosivos de guerra, que causam tragédias e impedem as comunidades de produzir em suas terras, de exercer seu talento maior: a agricultura.

Por outro lado, falta tecnologia para métodos de detecção que ainda são muito lentos e imprecisos e contribuem para manter a tuberculose como a doença infecciosa mais mortal do mundo: cerca de 3 milhões de pessoas deixam de ser diagnosticadas e 1,8 milhão morrem da doença..

Por isso, o treinamento desses animais – apelidados de HeroRATs e HeroDOGs – é tão importante. Magawa, um rato gigante do sul da África, é um deles e ganhou o noticiário mundial, no final do mês passado, ao ganhar a “cobiçada” medalha de ouro da PDSA por sua bravura, que é o equivalente animal da maior honra civil do Reino Unido por bravura.

Camboja ainda tem 3 milhões de minas enterradas

Essa espécie de rato é muito maior do que um rato comum, mas muito mais leve, o suficiente para não detonar uma mina terrestre, mesmo que passeie sobre ela. Nenhum rato treinado pela APOPO sofreu qualquer acidente em mais de 20 anos. Com mais um detalhe: eles são animais muito inteligentes e, por isso, muito fáceis de treinar.

Magawa começou a ser treinado ainda pequeno e, em apenas nove meses, já estava pronto para entrar em campo. O treino consiste em receber muitas recompensas saborosas quando se aproxima de algo com o cheiro de produtos químicos explosivos, comumente usados em minas terrestres.

Ele passou em todos os testes e, em 2015, foi enviado para trabalhar no Camboja. Estima-se que, nesse país, ainda estejam enterradas cerca de 3 milhões de minas das 6 milhões instaladas no país desde a década de 1970.

Cerca de 64 mil pessoas já morreram vítimas de explosões dessa natureza e o Camboja é o país com maior número de amputados por minas per capita do mundo: são mais de 40 mil pessoas.

Um farejador pra lá de especial

Magawa recebe uma banana de recompensa enquanto trabalha para detectar
minas terrestres no Camboja.

Magawa é conhecido e reconhecido por sua velocidade: vasculha uma área equivalente a uma quadra de tênis em 30 minutos! Um ser humano munido de um detector de metais levaria até quatro dias para finalizar o mesmo trabalho.

Seu olfato apuradíssimo e sua memória também são diferenciais de Magawa. Ele ignora sucatas (o que não acontece com os detectores de metal) e sempre acerta a localização da mina. Portanto, é muito mais eficiente, o que deixa os profissionais que o acompanham muito tranquilos.

E, assim, esse rato simpático das fotos contribui para erradicar o risco de morte e ferimentos graves de homens, mulheres e crianças. Ao todo, Magawa ajudou a encontrar 67 dispositivos explosivos: 39 minas terrestres e 28 itens de munição.

Além disso, ele ajudou a limpar mais de 141 mil metros quadrados de terreno – o que equivale a 20 campos de futebol -, tornando-o seguro para a população local.

Tal destreza o transformou no HeroRAT de maior sucesso da APOPO e, por isso, um candidato digno da Medalha de Ouro oferecida pela PDSA, prêmio que ajuda a dar visibilidade mundial para o problema das minas terrestres.

É claro que ele não tem a menor noção de tudo isso. Apenas executa sua missão em troca de deliciosas recompensas como bananas e amendoins, suas preferidas.

E, assim, será sua rotina por mais alguns anos (quanto depende de sua destreza e saúde), ajudando a transformar o Camboja num país mais seguro e mais produtivo em sua especialidade: a agricultura.

Atualmente, a APOPO tem 45 ratos farejadores de minas terrestres e 31 de tuberculose na África e na Ásia. Agora, assista ao vídeo da PDSA que conta sobre esse trabalho, o Camboja e apresenta o herói Magawa.

Fotos: PDSA/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “Rato farejador recebe medalha por bravura na detecção de minas terrestres no Camboja

Deixe uma resposta