Quem é o pior líder mundial na pandemia? Felipe Neto responde em vídeo publicado no New York Times e faz um apelo aos americanos

Quem é o pior líder do mundo ao lidar com a pandemia? Certamente, parte considerável dos americanos responderia que é seu presidente, Donald Trump. Mas o youtuber Felipe Neto – um dos mais populares do Brasil e o quinto no mundo, com quase 39 milhões de seguidores – resolveu contar pra eles que não é.

Por mais terrível que Trump seja, Jair Bolsonaro supera sua declarada inspiração, mesmo que os Estados Unidos ainda liderem em casos e mortes pela Covid-19. E Neto fez essa revelação bombástica no site do jornal New York Times, que publicou o vídeo no qual revela diversas “peripécias” irresponsáveis do ‘nosso presidente’, que transformaram o Brasil no mais incompetente no combate à pandemia.

De acordo com o Consórcio de Veículos de Imprensa, até ontem, 15/7, foram registradas 74.262 mortes e 1,92 milhão de infectados. Na última semana, morreram cerca de 1.056 pessoas por dia.

Em suas redes sociais – mais de 12 milhões de fãs no Instagram, 12 mil no Twitter e 128 mil no Facebook – Neto chamou o vídeo carinhosamente de live surpresa. Mas foi uma bomba, mesmo. Pelo menos para os defensores e robôs de Bolsonaro, que iniciaram uma verdadeira avalanche de impropérios e agressões nas redes sociais.

Na apresentação para seus leitores, o NYT relatou: “Os presidentes Trump e Bolsonaro há muito admiram os estilos cáusticos de governança. Portanto, não deve ser surpresa que os Estados Unidos e o Brasil sejam os únicos dois países do mundo com mais de um milhão de casos confirmados de Covid-19”. E acrescentou: “É uma corrida acirrada e, com certeza, nenhum governo deve ser elogiado, mas a negação imprudente da liderança brasileira é assustadora“.

Polêmica e engajamento

Neto é especialista em entretenimento. Tem uma trajetória polêmica: no início de sua carreira, chegou a fazer piadas homofóbicas, das quais se redimiu como sinal de amadurecimento, como ele próprio conta, sempre que tem uma oportunidade. Mas, com a eleição de Bolsonaro, aos poucos, veio a necessidade de se posicionar sobre pautas sociais e humanistas e agir, como fez em setembro de 2019 contra decisão moralista de Crivella.

Então, não é de hoje que o youtuber fala de política, direitos humanos, meio ambiente, temas muito desafiadores para a humanidade, em especial para o Brasil “de Bolsonaro”.

“Sou um youtuber brasileiro e crio vídeos engraçados, gerando opções de entretenimento para famílias ao redor do mundo. Mas, hoje, não estou aqui para fazer humor diante de uma nova audiência. E quando o palhaço precisa falar sério, você sabe que provavelmente o circo está pegando fogo”. Foi assim que o youtuber se apresentou para os americanos, leitores do NYT.

Não sei dizer se Felipe Neto incluiu as mais graves barbaridades que Bolsonaro tem dito desde que a pandemia chegou ao Brasil, mas me parece que listou as mais chocantes. Por mais que eu já tenho assistido e lido algumas delas, por diversas vezes, confesso que continua sendo perturbador ouvir as declarações desumanas do homem que foi eleito por 38% dos brasileiros, sobre tudo que cerca essa doença devastadora. E saber que alguns deles ainda o apoiam, mesmo assim.

O nosso é beem pior que o deles

“Ok, neste momento ainda estamos em segundo lugar em mortes, mas eu tenho certeza de que o nosso presidente, Jair Bolsonaro, é o pior líder no combate à Covid-19”, declarou Felipe, contando que ele é militar e já faz elogios à ditadura no país. Destaca também que foi esse tipo de declaração – inclusive de violência e de homofobia (como mostra em imagens, portanto não dá pra negar) – que o levaram à presidência.

Sua certeza de que o nosso é pior que o deles se baseia também no fato de que o Brasil é o país onde o contágio por Covid-19 cresce mais rápido, tanto que a OMS nos considera o novo epicentro da pandemia. E numa comparação bem humorada – sua especialidade – diz que a irresponsabilidade de Bolsonaro é tamanha que “faz Trump parecer Patch Adams”.

O youtuber lembra que, desde o inicio da pandemia no Brasil, Bolsonaro saia às ruas sem qualquer proteção, encorajando as pessoas a fazerem o mesmo. E disse mais: que os americanos ficaram chocados com “um mísero comício” de Trump, em Oklahoma, três meses depois do início da pandemia, mas Bolsonaro faz isso o tempo todo.

Participa de manifestações contra o Congresso, contra o Supremo Tribunal Federal, manifestações que pedem intervenção militar, vai a cerimônias militares, eventos lotados, a churrascos com seu jetski, tudo devidamente ilustrado por trechos de vídeos divulgados por sua equipe de comunicação, com destaque para atitudes deploráveis: passa a mão no nariz, certamente para conter a coriza, e, em seguida, cumprimenta uma senhora. “Isso seria nojento, mesmo sem uma pandemia”, declara Felipe.

Quarentena, cloroquina, ministros… e daí?

O youtuber avança em seu relato contando que, como Trump, Bolsonaro justifica suas ações porque acredita em curas milagrosas. Nessa esteira, defende a hidroxicloroquina, que não tem nenhuma evidência científica comprovada.

E, aqui, Felipe diz que Bolsonaro difere brutalmente de sua inspiração: além de exigir que as autoridades sanitárias alterem a bula incluindo a indicação para Covid-19, e mandou o Exército produzir o medicamento, gastando milhões na sandice. Isso enquanto os hospitais carecem de equipamentos e medicamentos adequados.

Também conta sobre os ministros da saúde que Bolsonaro demitiu: Luis Henrique Mandetta, porque insistia na quarentena; e Nelson Teich, porque se recusou a apoiar a indicação de cloroquina como medicamento de combate ao coronavírus. E que agora temos um interino militar, Eduardo Pazuello, que não é da área médica e que, além de apoiar a cloroquina, demitiu toda equipe técnica do ministério, que estava lá há anos.

Ainda lembra que o presidente é favorável ao armamento, e que voltou a fazer declaração nesse sentido na fatídica reunião ministerial de 22 de abril – aquela que revelou passagens contundentes como a de Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, dizendo aos colegas para aproveitar a oportunidade da pandemia, já que a imprensa só falava de Covid para afrouxar leis e ‘passar a boiada’. “Por isso que eu quero que o povo se arme”, disse o líder que, dias depois, aumentou os limites para a compra de munição e reduziu as normas para rastreamento de armas no país.

Por fim, Felipe conta que o presidente brasileiro, quando questionado pela imprensa sobre as mortes por coronavírus, desrespeitava os mortos e suas famílias. Lembrando alguns números que nos assombravam a cada dia, ilustrou com imagens as declarações do digníssimo:

“Quando o Brasil chegou a 2.500 mortes, um repórter pediu uma declaração e ele respondeu: “Não sou coveiro, tá?”. Quando chegamos a 5 mil: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”. Quando chegou a 30 mil: “Lamento, mas a morte é o destino de todo mundo”. Quando chegou a 50 mil: ficou musical”. Lembra do secretário da Embratur cantando Ave Maria e tocando sanfona? Ele mostrou esse vídeo ridículo também.

Trump legitima Bolsonaro

Com este cenário, até Trump admite que o Brasil não está bem nesta pandemia, lembra o youtuber, que chama a atenção dos espectadores para a amizade entre eles.

“Trump diz que Bolsonaro é seu amigo, mas essa amizade é crucial para que o presidente brasileiro mantenha sua popularidade. Trump legitima Bolsonaro. Vocês são os líderes em mortes por Covid-19 e, neste momento, estão nos liderando para o abismo”. E continua:

“Seu presidente tem pequenos clones operando em todo o mundo. Nós somos suas vítimas. E, se você estiver se perguntando o que pode fazer para ajudar o Brasil a lidar com nosso lunático, por favor, não reelejam o lunático de vocês. Neste novembro: vote para tirar Trump da Casa Branca”.

Abaixo, o vídeo na íntegra, com legendas, que você pode acionar, em português:

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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