Quatro espécies de atum conseguem aumentar suas populações graças a políticas de proteção e combate à pesca ilegal

Quatro espécies de atum conseguem aumentar suas populações graças a políticas de proteção às espécies

Anualmente a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) divulga a atualização da chamada Lista Vermelha, que avalia as condições de sobrevivência de milhares de animais e plantas no planeta. Em 2020, a organização monitorou as condições de 138.374 espécies. No último sábado, 04/09, durante o congresso da entidade, em Marselha, na França, foram anunciadas boas e más notícias sobre a vida marinha nos oceanos. Mas vamos começar pelas boas, como é o caso de quatro espécies de atum.

Sete das principais espécies de atum mais comercializadas globalmente foram avaliadas. Destas, quatro apresentaram aumento nos números de suas populações e por isso, mudaram de categoria de extinção, ou seja, agora aparecem com menor chance de desaparecem de nossos mares. O atum-rabilho (Thunnus thynnus) passou de “em perigo” para “pouco preocupante”, o atum-do-sul de “criticamente ameaçado” para “ameaçado” e o albacora (Thunnus alalunga) e o amarelo (Thunnus albacares) de “quase ameaçados” para “pouco preocupante”.

“A atualização da Lista Vermelha da IUCN de hoje é um poderoso sinal de que, apesar das crescentes pressões sobre nossos oceanos, as espécies podem se recuperar se os estados realmente se comprometerem com práticas sustentáveis”, destacou Bruno Oberle, diretor geral da organização. “Governos e especialistas reunidos agora no Congresso Mundial de Conservação da IUCN em Marselha devem aproveitar a oportunidade para impulsionar a ambição na conservação da biodiversidade e trabalhar em direção a metas vinculantes com base em dados científicos sólidos. Essas avaliações da Lista Vermelha demonstram como nossas vidas e meios de subsistência estão intimamente ligados à biodiversidade”.

A melhora nos status de conservação dessas quatro espécies de atuns se deve basicamente à implementação de cotas de pesca mais sustentáveis ​​e ao combate à pesca ilegal por governos locais.

“Esses bons números são a prova de que medidas para estimular a pesca sustentável funcionam, com enormes benefícios de longo prazo para a subsistência e a biodiversidade. As espécies de atum migram por milhares de quilômetros, portanto, coordenar seu manejo globalmente também é fundamental”, salientou Bruce Collette, presidente do Grupo de Especialistas em Atum e Billfish da IUCN SSC”.

Apesar da recuperação do atum, nossos oceanos continuam bastante ameaçados. O monitoramento da IUCN revela que 37% dos tubarões e raias do mundo estão em risco de extinção devido à pesca excessiva, agravada pela perda e degradação de seus habitats e pelas mudanças climáticas.

Quatro espécies de atum conseguem aumentar suas populações graças a políticas de proteção às espécies

O tubarão-mangona, uma das espécies considerada criticamente ameaçada de extinção

Lista Vermelha das Espécies em Extinção 2021

Número de espécies analisadas – 138.374
Número total de espécies ameaçadas – 38.543
Extintas – 902
Extintas na natureza – 80
Criticamente em perigo – 8.404
Em perigo – 14.647
Vulnerável – 15.492
Quase ameaçadas – 8.127
Pouco preocupantes – 71.148
Sem dados/informações suficientes – 19.404

Entenda as siglas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

– Extinto (EX): não existe mais nenhum indivíduo da espécie;
– Extinto na natureza ( EW): todos os indivíduos vivos da espécie encontram-se em cativeiro, não sendo possível verificá-los em seu habitat;
– Criticamente em perigo (CR): espécie apresenta chance extremamente elevada de entrar em extinção na natureza;
– Em perigo (EN):  espécie possui grande chance de entrar em extinção na natureza;
– Vulnerável (Vulnerable – VU): espécie tem chance de entrar em extinção na natureza;
– Quase ameaçado (NT): espécie não está ameaçada, mas esforços devem ser realizados em prol de sua conservação;
– Pouco preocupante (LC): espécie estudada não possui grandes riscos de entrar em extinção na natureza no momento;
– Dados deficientes (DD): não existem dados suficientes que evidenciem o grau de conservação da espécie;
Não avaliado (NE)

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Fotos: divulgação IUCN/Martin Gil Gallo (atum) e Simone Caprodossi (tubarão)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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