Quase uma década após acidente nuclear de Fukushima, no Japão, vida selvagem mostra resiliência e prospera

Quase uma década após acidente nuclear de Fukushima, no Japão, vida selvagem mostra resiliência e prospera

Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 8,7 atingiu a costa do Japão. Como consequência, um tsunami com ondas de 14 metros atingiu a usina nuclear de Daiichi, no município de Fukushima, na costa nordeste do país. Três dos seis reatores nucleares derreteram. E uma onda de radiação se espalhou pela região.

Quase uma década depois do desastre nuclear, um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, revela que a vida selvagem prospera e é abundante em zonas abandonadas pelos seres humanos.

Em artigo científico divulgado na publicação Frontiers in Ecology and the Environment, os biólogos contam que 267 mil fotos de animais, registradas por armadilhas fotográficas, flagraram a ocorrência de mais de 20 espécies, dentre elas, javalis, lebres japonesas, veados, ursos, doninhas, macacos, faisões, raposas e o cão-guaxinim, um parente da raposa, em várias áreas da paisagem.

“Nossos resultados representam a primeira evidência de que numerosas espécies de animais selvagens agora são abundantes em toda a Zona de Evacuação de Fukushima, apesar da presença de contaminação radiológica“, afirma James Beasley, professor associado do Laboratório de Ecologia do Rio Savannah e da Escola de Florestas e Recursos Naturais Warnell.

Javali selvagem, uma das espécies flagradas em Fukushima

Cento e seis armadilhas fotográficas foram instaladas em três diferentes áreas: a primeira, onde não existe qualquer presença humana devido ao mais alto nível de contaminação, a segunda, onde há restrição para os seres humanos por causa do nível intermediário de contaminação e a última, habitada por pessoas por apresentar índices muito baixos de radiação encontrados no ambiente.

Um dos flagrantes que chamou a atenção dos pesquisadores foi o do javali selvagem, espécie que frequentemente entra em conflito com o homem. “Isso indica que essas espécies aumentaram em abundância após a evacuação de pessoas”, diz Beasley.

Imagens revelam abundância de vida selvagem

Os cientistas envolvidos no estudo esclarecem, entretanto, que a pesquisa apenas observou a presença dos animais, mas não analisou os efeitos da radiação sobre a saúde dos mesmos.

Todavia, as imagens sugerem que as espécies mantem seu padrão de comportamento e hábitos naturais, e sobre isso, não haveria impacto da contaminação.

Guaxinins, que são noturnos, foram mais ativos durante a noite, por exemplo, enquanto os faisões, que são animais diurnos, eram mais ativos durante o dia. No entanto, o javali dentro da área desabitada foi mais ativo de dia do que o javali em áreas habitadas por humanos. Para os biólogos, a espécie pode ter modificado seu comportamento na ausência de humanos.

Situação semelhante aconteceu em Chernobyl, na Ucrânia, décadas depois do pior acidente nuclear de nossa história, em 1986 (400 vezes mais radiação foi emitida no desastre soviético do que a lançada pela bomba atômica lançada em Hiroshima em 1945). Por lá, atualmente, a região é habitada por ursos, bisões, lobos, cavalos selvagens, linces e mais de 200 espécies de aves.

Fotos: divulgação University of Georgia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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