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Quase oito anos depois, Rio Doce ainda sofre com impactos do rompimento da barragem da Samarco em Mariana

Quase oito anos depois, região do Rio Doce ainda sofre com impactos do rompimento da barragem da Samarco

No próximo dia 5 de novembro completam-se oito anos da ocorrência um dos maiores crimes ambientais do Brasil. O rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, fez com que um mar de resíduos tóxicos fosse jogado na bacia do Rio Doce, próximo à Mariana, em Minas Gerais.

A lama de minério destruiu completamente o vilarejo de Bento Rodrigues e deixou 19 pessoas mortas, além de poluir e contaminar toda a água da região e tirar a vida de centenas de animais. Nenhum sinal de alerta foi soado. Os moradores simplesmente viram uma mar de lama chegando em sua direção e carregando tudo pela frente.

E uma investigação concluída em três anos depois, em 2018, que seis meses antes da tragédia a Samarco foi alertada em um relatório sobre o risco do colapso da barragem e não fez nada (leia mais aqui).

Quase uma década passada do crime, análises científicas revelam que a biota do Rio Doce ainda sofre os impactos do desastre. Os dados fazem parte do 4º Relatório Anual do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática da Área Ambiental I – Porção Capixaba do Rio Doce e Região Marinha e Costeira Adjacente, produzido pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Fest/Ufes), a partir de estudos e contribuições de cerca de 500 pesquisadores de mais de 30 instituições, principalmente universidades federais de vários estados brasileiros.

O documento foi apresentado há algumas semanas e apontam que tanto o meio ambiente como as comunidades locais ainda convivem com os efeitos provocados pelo crime da mineradora.

“No rio está demonstrada a contaminação da biota em níveis preocupantes, com crescimento explosivo das espécies invasores. Será necessária uma intervenção forte para tentar recuperar um pouco, no sentido de capturar exóticas, fechar algumas áreas, introduzir nativas”, disse Joca Thomé, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e membro da Câmara Técnica de Biodiversidade (CTBio), em entrevista ao jornal Século Diário.

O especialista ressalta ainda que na Área de Proteção Ambiental da Costa das Algas houve redução de espécies de peixes e transformação grande no tipo de algas que ocupam o fundo. “A foz do rio também foi bastante alterada. A área lamosa aumentou muito. Os demais manguezais, socialmente tão importantes, estão muito contaminados. O impacto social é tão grande ou maior que o ambiental”, denuncia.

No total, o relatório indica 295 impactos, que são classificados em diferentes áreas – 96 no ambiente dulcícola (rios), 130 no ambiente marinho e 69 no ambiente costeiro. 

Para Thomé, uma grande vitória conquistada foi que a justiça determinou que a Samarco, fundação criada para administrar todas as questões ligadas ao rompimento da barragem, mantenha e dê continuidade ao Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA) e ao Acordo de Cooperação Técnica com a Fest.

A Renova tinha entrado com uma ação para que pudesse contratar uma empresa privada para a realização desse trabalho.

“A manutenção do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática poderá registrar em longo prazo a permanência ou redução do impacto crônico, documentando as tendências futuras das condições ambientais e da biodiversidade nos ecossistemas, assim como monitorar a eficiência das ações de recuperação ambiental implementadas na bacia do Rio Doce e região costeira e marinha afetada”, destaca o texto do relatório em suas conclusões.

Em 2019, o crime da Samarco, em Mariana, foi o primeiro crime ambiental a ser classificado como ‘violação dos direitos humanos’, algo até então inédito, desde que o Conselho Nacional de Direitos Humanos tinha sido criado, cinco anos antes.

Vale lembrar, que depois dessa tragédia, outra barragem da mesma empresa, pertencente à Vale, também se rompeu. Em Brumadinho foram quase 300 as vítimas.

Leia também:
Corais de Abrolhos sofreram impacto de metais pesados da lama da Samarco (Vale)
Quase 270 hectares de vegetação da Mata Atlântica foram destruídos com rompimento de barragem, em Brumadinho

Foto de abertura: Antonio Cruz/Fotos Públicas

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