Quase destruída pelo turismo, praia da Tailândia eternizada em filme com Leonardo DiCaprio, é prova da necessidade de respeito à natureza

Quase destruída pelo turismo, praia da Tailândia eternizada em filme com Leonardo DiCaprio, é prova da necessidade de respeito à natureza

A Baía de Maya faz parte do Parque Nacional Hat Noppharat Thara-Mu Ko Phi Phi, em Krabi, na Tailândia. O lugar é considerado o que muitos costumam chamar de “um pedaço do paraíso na Terra”. Escondida no meio de uma parede de montanhas rochosas fica uma pequena praia, de areia branca e fina, banhada por uma água cristalina, e onde recifes de corais servem de habitat para diversas espécies de vida marinha.

Localizada na ilha de Phi Phi Leh, no Mar de Andaman, a baía fica a aproximadamente duas horas de barco da província de Phuket, no sudeste do país. E foi nos anos 2000 que ela ficou internacionalmente conhecida após ser cenário da parte mais importante do filme “A Praia”, estrelado pelo ator Leonardo DiCaprio.

Todavia, com a notoriedade ganha nas telas do cinema, milhões de turistas do mundo inteiro começaram a visitar o lugar. Até então, ele era basicamente um destino para viajantes tailandeses.

Depois de chegar à Hollywood, cerca de 200 barcos aportavam na baía diariamente, deixando ali, em média, 5 mil pessoas por dia, 150 mil por mês – quase 1,5 milhão por ano.

impacto sobre a biodiversidade foi arrasador. Os recifes de corais foram destruídos e a vida marinha gravemente afetada.

Em 2018, como eu contei nesta outra reportagem, o governo da Tailândia anunciou o fechamento da Baía de Maya ao turismo. Desde então várias medidas foram tomadas para tentar recuperar o ecossistema local.

Quase destruída pelo turismo, praia da Tailândia eternizada em filme com Leonardo DiCaprio, é prova da necessidade de respeito à natureza

Imagem da baía quando embarcações ainda eram permitidas no local

A recuperação da Baía de Maya, na Tailândia

Há 30 anos, quando foi feito um monitoramento da saúde dos corais na Baía de Maya, entre 70% e 80% deles estavam intactos. Com a explosão do turismo na ilha, décadas depois, menos de 10% eram considerados em bom estado.

Para especialistas, como o biólogo marinho Thon Thamrongnawasawat o ideal seria fechar o local definitivamente ao turismo. Mas a Tailândia depende dele economicamente. Aproximadamente 20% da renda do país vem desse setor.

A solução então é investir no ecoturismo, que tem como componente principal a preservação e o respeito à natureza.

Thamrongnawasawat trabalhou junto com o Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Tailândia no plano de recuperação da baía. Dentre as ações implementadas está o plantio de novas mudas de corais.

Quase destruída pelo turismo, praia da Tailândia eternizada em filme com Leonardo DiCaprio, é prova da necessidade de respeito à natureza

O paraíso escondido pelas rochas, mas desvendado ao mundo pelo filme “A Praia”

Nos últimos quatro anos, com ajuda de voluntários, foram replantados 30 mil pedaços de corais, vindos da ilha vizinha de Koh Yung.

Segundo entrevista dada à jornalista Karla Cripps, da CNN Internacional, o biólogo afirma que 50% deles “vingaram”, mas o restante sofreu com branqueamento. Ainda segundo ele, sem a ajuda humano, o crescimento natural para restaurar o ecossistema levaria entre 30 a 50 anos.

“Quando fechamos a baía, depois de apenas três meses, os tubarões-galha-preta voltaram, eles continuam acasalando, alguns deles dão à luz… Então há muitas coisas acontecendo, não apenas o recife de coral”, diz Thamrongnawasawat.

A volta do turismo, mas com regras rígidas

No final de 2021, o Departamento Tailandês de Parques Nacionais anunciou a reabertura da famosa praia. A partir de 1o de janeiro de 2022 os turistas voltaram a ser bem-vindos na ilha. Mas não como antes.

Embarcações não podem mais adentrar a baía. Elas aportam num deque construído na parte de trás de Phi Phi Leh, e dali faz-se uma pequena caminhada até a praia. As visitas têm duração máxima de uma hora e só são permitidos 375 turistas no local, por vez, e não mais que 4,125 por dia.

Quem chega nos dias atuais ao paraíso onde esteve DiCaprio há 20 anos não pode mais nadar na água transparente, apenas caminhar pela areia. Um guarda, com apito, garante que ninguém desobedeça as novas regras. Os infratores são obrigados a pagar uma multa na hora.

E sempre que necessário, a baía será fechada novamente. É que está acontecendo agora, desde o último dia 1o de agosto até 30 de setembro, período das monções (chuvas intensas e enchentes) daquele lado do mundo.

Além disso, as autoridades pretendem assegurar ainda mais a preservação da biodiversidade e garantir um “respiro” à vida que habita ali.

Pouco a pouco, a vida marinha volta a se fortalecer na Baía de Maya

*Com informações da CNN Internacional

Fotos: reprodução Facebook Amazing Thailand 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.