Quase 1.500 golfinhos são mortos em matança brutal, e legal, nas Ilhas Faroé, na Dinamarca

Quase 1.500 golfinhos são mortos em matança brutal, e legal, na Ilhas Faroé, na Dinamarca

Novamente, o mundo ficou chocado e indignado com as cenas registradas nas Ilhas Faroé, na Dinamarca, e divulgadas pela organização internacional Sea Shepherd. 1.428 golfinhos aparecem mortos na beira de um mar de sangue. Num único dia, o último domingo, 12/09, pescadores abateram todos os animais. Acredita-se que o “evento” foi a maior matança de golfinhos ou baleias-piloto já feitas no local.

Ao longo da costa de 45 km, os pescadores usaram barcos e jet-skis nas águas rasas da praia de Skálabotnur para matar os golfinhos a facadas. Simplesmente bárbaro. E inaceitável.

Como eu já havia escrito nesta outra reportagem para o site em 2018, esta é uma tradição ancestral, que já tem mais mil anos entre os moradores das Ilhas Faroé, ao norte da Escócia. O arquipélago, que tem governo independente, fica entre a Islândia e a Noruega, mas pertence ao reino da Dinamarca.

A tradição chamada de grindadráp, ou simplesmente grind, consiste no encurralamento de baleias e golfinhos em uma baía e a posterior matança dos cetáceos. Eles são levados até ali por barcos, e quando encalham na água de pouca profundidade, são facilmente mortos com facões. Geralmente é feito um corte no pescoço e depois, na coluna cervical.

As “regras” para a matança determinam que a morte da baleia deve ser rápida e sem sofrimento. Os envolvidos na prática precisam fazer curso e ter uma licença.

Para a população local, a tradição promove a cultura e o senso de comunidade entre os moradores e também, fornece alimento (a carne da baleia), que é estocado durante vários meses.

Mas segundo denúncias da Sea Shepherd, foram cometidas várias irregularidades no “processo” e foram mortos tantos golfinhos que há carne em demasia e provavelmente, os animais simplesmente serão descartados antes que suas carcaças comecem a apodrecer. Eles precisarão ser jogados no lixo ou enterrados.

Quase 1.500 golfinhos são mortos em matança brutal, e legal, na Ilhas Faroé, na Dinamarca

Ainda de acordo com relatos de moradores locais, ouvidos pela organização, durante a matança do final de semana a administração do distrito onde ela ocorreu não foi informada previamente e, portanto, nunca autorizou a caça. Em vez disso, foi o responsável de outro distrito que organizou o grind sem a autoridade adequada. Em segundo lugar, muitos participantes não tinham licença. As imagens mostram que muitos dos golfinhos ainda estavam vivos e se movendo, mesmo depois de serem jogados na costa.

Por último, pelas fotos, percebe-se que muitos animais foram atropelados pelas embarcações e mortos por sua hélices, o que obviamente, significa um sofrimento muito grande e lento.

Quase 1.500 golfinhos são mortos em matança brutal, e legal, na Ilhas Faroé, na Dinamarca

Este ano, mesmo a mídia local, que sempre defende a tradição, criticou a maneira brutal como ela foi realizada. E vale ressaltar que 615 baleias-piloto já haviam sido mortas neste verão nas Ilhas Faroé, ou seja, no total, 2.043 animais foram caçados.

Há anos diversas organizações internacionais advogam pelo fim do grindadráp.

“É ultrajante que tal matança ocorra em 2021 em uma comunidade insular europeia muito rica, a apenas 230 milhas do Reino Unido, sem necessidade ou uso para uma quantidade tão grande de carne contaminada”, diz Rob Read, CEO da Sea Shepherd Reino Unido.

“Considerando os tempos em que vivemos, com uma pandemia global e o mundo parando, é absolutamente espantoso ver um ataque à natureza dessa escala nas Ilhas Faroé”, lamenta Alex Cornelissen, CEO global da organização. “Se aprendemos alguma coisa com esta pandemia é que temos que viver em harmonia com a natureza em vez de eliminá-la”.

Abaixo, o vídeo com imagens chocantes, divulgado pela Sea Shepherd. Se você é sensível, não assista!

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Fotos: divulgação Sea Shepherd

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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