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Protesto exibe carcaças de animais atropelados em estradas do Mato Grosso do Sul para pressionar governo. Assine a petição!

Atualizado para acompanhar a adesão à PETIÇÃO ONLINE:
– em 16/5, às 12h34: 572 assinaturas
– em 17/5, às 20h30: 1.001 assinaturas e precisa de muito mais!

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Cansados de ver os atropelamentos de animais crescerem exponencialmente na BR-262 e o governo do Mato Grosso do Sul não tomar nenhuma providência – e também aproveitar o Maio Amarelo, mês dedicado à prevenção contra acidentes no trânsito – , o Instituto SOS Pantanal, o Instituto Libio, a Chalana Esperança (Instituto Espaço Silvestre) e o movimento Fridays for Future Brasil realizaram manifestação chocante em frente à sede do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, em Campo Grande.

O órgão administra a BR que liga a cidade de Campo Grande a Corumbá, conhecida como a Rodovia da Morte do Pantana Sul’ por ser uma das estradas mais mortais para a fauna silvestre e uma das mais perigosas para os motoristas.

Ela é a nona maior rodovia do país – com 2.213 km de extensão – e interliga Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Principalmente no trecho que corta o Pantanal, acumula elevados índices de atropelamento de animais.

O fotógrafo e ativista Leonardo Merçon acompanhou o protesto e registrou alguns momentos; também gravou um vídeo, que reproduzimos no final do post

A ação, realizada hoje, também contou com o reforço visual de enormes outdoors sobre a iniciativa, instalados na cidade, bem como a distribuição de adesivos e material educativo para motoristas, dando dá início à campanha Estradas Seguras Para Todos (hashtag #EstradasSegurasParaTodos), que tem, como principal objetivo, “exigir que o DNIT implemente medidas de mitigação ao longo da BR-262″, e também em outras rodovias do estado e do país, além de chamar a atenção da imprensa e da sociedade para um problema que só cresce: as colisões entre veículos e animais silvestres nas estradas nacionais que ceifam vidas animais e humanas todos os anos.

Por ano, cerca de 475 milhões de vertebrados são vítimas de atropelamento no Brasil, causando um alto impacto ambiental e acelerando o processo de extinção de diversas espécies ameaçadas.

A campanha também lançou PETIÇÃO ONLINE que, até 21h, tinha arrecadado apenas 292 assinaturas. Participe e compartilhe! Ajude a espalhar esta campanha.

Os manifestantes em frente à sede do DNIT, em Campo Grande / Foto: Hei Nascimento

Em cima de uma lona amarela, os ativistas colocaram corpos de nove animais silvestres mortos por atropelamento (não estão embalsamados!), ao longo da BR-262 – entre eles tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, lobo-guará (animal símbolo do Pantanal), tatu, cachorro-do-mato e quati – e cruzes que indicavam a espécie e quantos animais de cada uma morreram nessa rodovia.

Acima, o corpo de um quati atropelado na BR-262 e a cruz que informa a quantidade de animais da espécie mortos da mesma forma nos últimos três anos; abaixo, um tamanduá-bandeira e a estatística: 255 foram atropelados como ele / Fotos: Leonardo Merçon

A lona com listras, que sugeriam faixas e o acostamento de uma rodovia, questionava: “E agora? Vocês nos vêem?”. Sim, porque não só o DNIT e o governo do estado não os enxergam como os motoristas nas estradas, que muitas vezes perdem suas vidas.

O superintendente do DNIT, Euro Nunes, se prontificou a ouvir o grupo e a receber uma carta assinada por mais de 50 instituições ambientalistas e de proteção animal. E, em seguida, recebeu Gustavo Figueirôa, biólogo e diretor de comunicação e engajamento do SOS Pantanal, e Luciana Leite, uma das idealizadoras da Chalana Esperança.

“Ele disse que está comprometido em promover obras que mitiguem a incidência de atropelamentos e acidentes, que a BR-262 é uma prioridade e que aguarda autorização do Ibama para começar a agir. Já estamos encaminhando solicitação para o Ibama questionando sobre o que falta para este processo ser aprovado. Vamos até o fim para que essas medidas saiam do papel”, destacou Figueirôa.

Euro Nunes, superintendente do DNIT, com os manifestantes, ao lado de Luciana Leite e Gustavo Figueirôa. Foto: Hei Nascimento
Luciana Leita (Chalana Esperança) e Gustavo Figueirôa (SOS Pantanal) no gabinete de Euro Nunes Varanis Júnior,superintendente do DNIT / Foto: Hei Nascimento

“Estudos já foram feitos! Sabemos quantos animais morrem, os locais mais críticos de atropelamentos e que medidas de mitigação devem ser implementadas!”, destaca o perfil do SOS Pantanal, no Instagram. “Essa rodovia corta o coração do Pantanal Sul Mato Grossense, e todos os dias diversos animais são mortos! São frequentes as colisões com animais que matam pessoas, deixam feridos e geram altos danos materiais”.

E a ONG completa: “O DNIT já tem em suas mãos os planos de mitigação” [passagens de fauna, cercamento das estradas e mais redutores de velocidade em pontos estratégicos] “e o recurso para que as medidas sejam implementadas, mas por que essas ações ainda não foram colocadas em prática? Pois falta ação, compromisso! Falta competência do DNIT com a vida selvagem, o Pantanal e com a sociedade!”.

Este problema não precisa mais ser estudado, precisa ser revolvido, destaca a campanha.

Ativistas exibem cartazes com a campanha para os motoristas que passam pela Avenida Mato Grosso, em Campo Grande: “Este problema não precisa ser estudado, precisa ser resolvido!” / Foto: Leonardo Merçon

Cartão-de-visitas macabro

Somente nos meses de janeiro e abril deste ano, três onças-pintadas foram atropeladas e recolhidas pela Polícia Militar Ambiental (PMA): dois machos adultos e uma fêmea. A primeira, em 27 de janeiro; as outras duas, em 21 e 29 de abril, ou seja, com uma diferença de apenas oito dias.

“Não é de hoje que alertamos sobre a carnificina a céu aberto que é a BR-262, um verdadeiro ralo para a biodiversidade: em apenas três anos de monitoramento, ao longo de 1.150 km de estradas, pesquisadores coletaram mais de 12 mil carcaças! Já temos dados, o que precisamos agora é de ação!”.

Os dados são do ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres, mas, apesar de alarmantes representam apenas uma fração das mortes reais, visto que, em geral, são registrados mais facilmente animais de médio e grande porte, o que deixa os de pequeno porte e invertebrados de fora das estatísticas. Mais: a maioria dos animais feridos ainda tenta procurar um lugar seguro, fora da pista, e morre distante do local do acidente, não sendo contabilizada.

Corpos e restos de animais praticamente “fazem parte da paisagem” da rodovia, espalhados pelo acostamento: um “cartão-de-visitas macabro” que recebe os turistas.

Tamanduá-bandeira atropelado na BR-262: sua carcaça é uma das que foi exibida no protesto em frente ao DNIT / Foto: Leonardo Merçon

Entre as espécies mais atingidas estão tamanduás-bandeiras, tamanduás-mirins, tatus e capivaras, mas também espécies raras e ameaçadas de extinção como onças-pintadas, tatus-canastras e lobos-guarás.

Segundo Gustavo Figueirôa, as rodovias mais mortais do Mato Grosso do Sul “são a BR-262 e a MS-040 [este ano, já ocorreram 23 colisões com antas nessa rodovia, a última foi em meados de maio, com vítimas fatais – a anta e uma pessoa de 65 anos – e três feridas]. Mas também tem a MS-178, que atravessa Bonito, onde há uma grande diversidade de fauna”.

Nessa região, ONGs também se uniram para pressionar o poder público e criaram uma campanha para disseminar o problema na sociedade: Bonito não Atropela (hashtag #bonitonãoatropela).

O impacto na biodiversidade do Pantanal é gigantesco, mas vidas humanas também são ceifadas: 40% das colisões com fauna ameaçam motoristas e passageiros. 

Prejuízos de 5 milhões de dólares por ano, no país

De acordo com o Centro Brasileiro de Ecologia e Estradas (CBEE), cerca de mil pessoas morrem no Brasil por ano em decorrência de acidentes envolvendo colisão com fauna em rodovias

Entre 2007 e 2019, a Polícia Rodoviária Federal registrou 614 colisões com espécies da fauna que causaram ferimentos e mortes de pessoas nas estradas do MS pela Polícia Rodoviária Federal. Mas parece que isso nada representa para o poder público.

Um dos argumentos para a inação dos governos estaduais e do DNIT é o do custo da implementação de medidas de segurança nas rodovias. Mas, além das perdas de vidas humanas e de animais silvestres, esses acidentes causam prejuízo para os cofres públicos e privados.

De acordo com dados divulgados pela petição, os acidentes custam, em média, cerca de R$ 4.500/colisão, pagos pelos motoristas por meio do IPVA e outros impostos. Os valores variam de acordo com o tamanho do animal e a velocidade do veículo. 

Por ano, os prejuízos somados no país podem ultrapassar 5 milhões de dólares! Apenas no estado de São Paulo, são de R$ 56 milhões por ano. Enquanto que os estudos sobre os custos dessas colisões comprovam que o investimento na segurança das estradas seria recuperado em menos de dez anos.

No final de 2022, o governo do Mato Grosso do Sul anunciou investimento de mais de 900 milhões de reais na construção de novas estradas, mas não indicou, quanto desse montante será aplicado para medidas de mitigação dos acidentes com fauna silvestre. Certamente porque não foi estipulado um valor com este fim.

E, assim, como destaca a petição online, “animais e pessoas continuarão pagando com suas vidas”. Assine petição online: Por Estradas mais Seguras para Todos!

A seguir, veja os posts sobre o protesto publicados pelo SOS Pantanal, pelo fotógrafo Leonardo Merçon e pela bióloga Luciana Leite (Chalana Esperança), no Instagram:

Foto (destaque): Leonardo Merçon

Com informações do SOS Pantanal, Luciana Leite (Chalana Esperança), PMA e da petição online

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alexsandro
alexsandro
10 meses atrás

Absurdo por aqueles que nao tem voz!

Lo Agnes
Lo Agnes
10 meses atrás

porque as pessoas estão cegas, não pensam que TODOS seres fazem parte desse universo e tem sua importância aqui…fora o motivo economia “passa a boiada”, falta de interesse público, falta empatia…o ser humano pela sua arrogância e egoísmo está fadado à extinção, uma pena que fará antes isso com outros seres.

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