Projeto piloto em Minas Gerais irá monitorar rede de esgoto para rastrear proliferação do coronavírus

Projeto piloto em Minas Gerais irá monitorar presença de coronavírus na rede de esgoto

Enquanto os números de casos de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, o COVID-19, já passam de 2,5 milhões no mundo e o de mortos beira os 200 mil, pesquisadores de todos os países tentam entender melhor como o vírus se prolifera para, desta maneira, ter uma melhor chance de contê-lo e evitá-lo.

No passado, estudos já foram feitos para detectar a presença de patógenos (bactérias ou vírus causadores de doenças) no esgoto, já que sabe-se que os mesmos podem estar presentes nas fezes humanas.

E agora, pesquisas similares estão sendo realizadas em relação ao coronavírus em outros países e, em Minas Gerais, será realizado um projeto piloto também para monitorar a presença do COVID-19 no esgoto de algumas regiões das cidades de Belo Horizonte e de Contagem.

O projeto é uma parceria entre a Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e o INCT ETEs Sustentáveis, sediado e coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Saber como está a ocorrência de coronavÍrus por regiões pode permitir a adoção de medidas de relaxamento consciente do isolamento social e ainda, pode possibilitar avisos precoces dos riscos de aumento de incidência da COVID-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisões dos gestores públicos”, afirmou o professor Carlos Chernicaro, que é coordenador do INCT.

O especialista ressalta, entretanto, que não há evidências da transmissão do vírus através das fezes (transmissão feco-oral). Porém, o mapeamento dos esgotos pode indicar áreas de maior incidência da transmissão, por exemplo, e ainda, no acompanhamento da evolução espacial e temporal da ocorrência do novo coronavírus .

“Nas águas e nos esgotos podemos ter informações valiosas para salvar vidas, auxiliando os órgãos de Saúde a alocarem seus esforços para combate à pandemia e ainda para entender a dinâmica da movimentação do vírus nos municípios”, destaca Christianne Dias, diretora-presidente da ANA.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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