Profissionais de saúde, idosos e indígenas serão primeiros a receber vacina contra o coronavírus a ser aprovada no Brasil

Profissionais de saúde, idosos e indígenas serão primeiros a receberem vacina contra o coronavírus a ser aprovada no Brasil

Enfim, luz no fim do túnel. 2020 foi um ano como nenhum outro. A maior pandemia da história recente da humanidade já tirou a vida de quase 1,5 milhão de pessoas no mundo e contaminou outras 64 milhões. Até este momento. Europa, Estados Unidos e Brasil enfrentam uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus e o número de mortes têm aumentado nos últimos dias.

Mas graças aos esforços de pesquisadores e cientistas de diversos países, vacinas contra a COVID-19 foram desenvolvidas em tempo recorde e a primeira delas, produzida pelo laboratório farmacêutico americano Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, recebeu a chamada “aprovação emergencial” hoje, no Reino Unido. A previsão é que, já na semana que vem, profissionais de saúde britânicos comecem a receber a primeira dose do imunizante.

No Brasil, o Ministério da Saúde realizou uma coletiva de imprensa ontem (01/12) em que anunciou qual serão os grupos prioritários a receber a vacina assim que alguma delas for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Idosos, profissionais de saúde e populações indígenas serão os primeiros a serem vacinados.

Segundo o plano divulgado, serão quatro fases de vacinação:

Primeira fase: profissionais da saúde, indígenas e idosos com mais de 75 anos, além de pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas);

Segunda fase: pessoas de 60 a 74 anos;

Terceira fase: pessoas com comorbidades, mais vulneráveis à COVID-19, portadores de doenças renais crônicas e cardiovasculares, por exemplo;

Quarta fase: professores, forças de segurança e salvamento, funcionários e detentos do sistema prisional.

Todavia, ainda não existe data para o início da vacinação contra o coronavírus no Brasil. O Ministério da Saúde afirma, entretanto, que planeja imunizar 109,5 milhões de brasileiros em 2021.

Em entrevistas anteriores, os representantes do ministério disseram que o país não pretende usar as vacinas que requerem armazenamento a temperaturas muito baixas. Tanto a produzida pela Pfizer, quanto aquela fabricada pela também americana Moderna, só podem ficar acondicionadas em freezers com temperaturas baixíssimas, o que dificultará a logística para transporte e armazenamento. A da Pfizer precisa ser mantida a -70 ºC.

Até o momento, a vacina CoronaVac, da companhia chinesa Sinovac, que está sendo testada em parceria com o Instituto Butantã, em São Paulo, parece ser a que receberá a primeira aprovação no Brasil. Como é praxe nessas situações, uma equipe de inspetores da Anvisa já está na China para vistoriar a produção do produto.

Há ainda duas outras vacinas que estão sendo testadas entre os brasileiros, a do laboratório Janssen, da multinacional dos Estados Unidos Johnson & Johnson, e a da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em parceria com a empresa farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca. Esta última trabalha em conjunto com a Fiocruz, no Brasil.

Não dá pra baixar a guarda ainda

Enquanto ainda não há data certa no calendário para a vacinação no Brasil, especialistas de saúde alertam sobre a necessidade da população continuar a se cuidar, mantendo o distanciamento social, usando máscara e lavando as mãos com frequência. Afinal, vale ressaltar, que o vírus continua circulando.

“A mensagem é boa para todos nós brasileiros. Há otimismo da aprovação de várias vacinas também em breve aqui no Brasil, isso pode levar alguns meses, então é importante que todos nós façamos a nossa parte e aguentemos mais um pouco com as medidas preventivas, até que, em poucos meses, tenhamos vacinas disponíveis no país”, enfatizou Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, em entrevista ao portal de notícias G1 Paraná.

Já são quase 174 mil vítimas da COVID-19 no Brasil e 6,3 milhões de brasileiros testaram positivo para o vírus. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entre estas populações, são 884 mortes e mais de 40 mil contaminados. Em agosto, um dos mais importantes líderes indígenas, o cacique Aritana Yawalapiti, não resistiu à COVID-19.

“Se a curva ascendente de infecções pelo coronavírus continuar, com número de casos novos que tem sido alarmante a cada dia, nós vamos entrar no caos, no colapso do sistema de saúde, tanto público como privado”, afirma Cunha.

Custos e doses das diferentes vacinas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reafirmou por diversas vezes a importância de se ter diversas vacinas no mundo para ser possível imunizar a população do planeta.

Sabe-se, por exemplo, que a logística exigida para o armazenamento das vacinas da Pfizer e da Moderna dificultarão bastante o acesso delas a países mais pobres e distantes.

Na questão de custo, por exemplo, a parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca só foi fechada depois que a empresa garantiu que produziria a vacina a preço de custo, em lucro algum envolvido. Em contratos assinados com governos, a empresa se compromete a manter esse valor até que a pandemia esteja controlada.

Abaixo, um comparativo feito por especialistas entre as diversas vacinas em testes atualmente, lembrando que até agora, apenas a da Pfizer recebeu aprovação emergencial no Reino Unido:

Pfizer
Duas doses
95% de eficácia
Armazenamento -70oC
Valor – US$ 39

Moderna
Duas doses
94,5% de eficácia
Armazenamento -20oC
Valor – entre US$ 32 e 37

AstraZeneca
Duas doses
62% a 90% de eficácia
Armazenamento – entre 2 e 8oC
Valor – US$ 4

SputnikV
Duas doses
91,4% de eficácia
Armazenamento – entre 2 e 8oC
Valor – US$ 10

Coronavac
Duas doses
Mais de 90% de eficácia
Armazenamento – entre 2 e 8oC
Valor – US$ 10,30

Johnson & Johnson
Uma dose (mas em testes também para ver eficácia com duas doses)
Armazenamento – -20oC (validade por dois anos) e entre 2 e 8oC (validade de três meses)
Valor – US$ 10

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Foto: Bruna Cabrera/Palácio Piratini/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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