Profissionais de saúde britânicos defendem imposto sobre alimentos ruins para o meio ambiente e nossa saúde

Profissionais de saúde britânicos defendem imposto sobre alimentos que são ruins para o meio ambiente e nossa saúde

Uma coalizão formada por médicos, enfermeiras e outros profissionais de saúde, reunindo especialistas de algumas das mais renomadas institutições da área no Reino Unido, lançou um manifesto em prol da saúde pública e ao combate às mudanças climáticas, em que defende a taxação de alimentos que provocam impacto no meio ambiente.

Em um documento com 16 páginas, os profissionais apontam as evidências científicas que são a razão pela qual conclamam o governo britânico a implementar impostos sobre certos alimentos até 2025.

“A maioria das ações para mitigar as mudanças climáticas tem se concentrado na descarbonização de energia e transporte, mas agora é amplamente reconhecido que será impossível manter as temperaturas globais em níveis seguros, a menos que haja uma transformação na forma como o mundo produz e consome alimentos, o que representa um quarto (26%) do total das emissões globais de gases de efeito estufa“, afirmam os especialistas.

Em seu manifesto, a coalizão fez quatro recomendações ao governo de Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido:

  • Educação e informação – as campanhas de informação pública existentes sobre alimentação devem incluir mensagens climáticas e os profissionais de saúde e os pacientes devem receber informações claras e acessíveis sobre a transição para uma dieta amiga do clima;
  • Rotulagem de alimentos – uma comissão de pesquisa independente sobre a forma mais eficaz de rotulagem ambiental deve ser implementada para ajudar os consumidores a fazerem escolhas sustentáveis;
  • Compras Públicas – alterar as regras de compras públicas para exigir que todos os alimentos adquiridos atendam aos padrões ambientais necessários – usando o poder de compra para mudar o mercado;
  • Política alimentar após o Brexit – movos acordos comerciais devem incluir uma cláusula exigindo que as importações atendam aos padrões ambientais do Reino Unido.

“A COVID-19, por mais dolorosa que seja, pode se tornar insignificante em comparação com a turbulência criada pelas mudanças climáticas e o colapso da biodiversidade“, alerta Henry Dimbleby, representante da National Food Strategy. “Os profissionais de saúde têm um papel importante na formação de nossa dieta alimentar e estou muito satisfeito em ver que suas recomendações abrangem não só a nossa saúde, mas também a do nosso planeta – e que consideram as influências mais amplas em nosso sistema alimentar”.

O governo britânico já adotou medidas semelhantes no passado. Em 2016, criou um imposto sobre o açúcar para a indústria de bebidas e no ano seguinte, proibiu a publicidade infantil de junk food em cinemas, internet e revistas.

Os profissionais que fazem parte da iniciativa ressaltam que não estão propondo que a população se torne vegetariana ou vegana, mas simplesmente, que aumente seu consumo de proteínas vegetais, algo já aconselhado por médicos e nutricionistas do mundo inteiro.

Um estudo divulgado no ano passado na respeitada publicação científica The Lancet, que é uma das integrantes da coalizão, afirma que um prato saudável (também para o planeta) deve ter 50% de vegetais e frutas e o restante, a outra metade, caso desejado, com uma pequena porção de proteína animal (de preferência, peixe ou frango).

Segundo os pesquisadores, a redução no consumo de carne vermelha e laticínios, com a mudança para um cardápio mais colorido, evitaria 11 milhões de mortes por ano, o que representa algo em torno de 19% a 24% dos óbitos atuais, entre adultos.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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