Profissionais da English National Opera ajudam pacientes pós-COVID a respirar bem novamente

Profissionais da English National Opera ajudam pacientes pós-Covid a respirar bem novamente

O ditado popular diz que “rir é o melhor remédio”, mas para muitas pessoas que tiveram a COVID e ainda sofrem com os sintomas prolongados da doença, talvez “cantar seja o melhor remédio”. Pelo menos é isso o que tem demonstrado um programa pioneiro, feito em parceria pelos profissionais e especialistas em música da English National Opera (ENO) e o Imperial College Healthcare NHS Trust, o sistema de saúde público da Inglaterra.

Entre setembro e novembro do ano passado, doze pessoas, que tinham entre 30 e 70 anos, participaram do então projeto piloto (25% eram estrangeiros), com duração de seis semanas. O ENO Breathe Programme consiste em sessões semanais em grupo, gratuitas e realizadas online, para capacitar os participantes com ferramentas para ajudá-los a respirar melhor, por meio da música, usando canções de ninar. As técnicas ensinadas são as mesmas utilizadas por cantores de ópera. Além de oferecer um treinamento respiratório, as aulas ajudam a diminuir a ansiedade.

A resposta obtida com os primeiros participantes do programa foi tão boa que agora ele será ampliado. Nesse primeiro momento, 1 mil pacientes pós-COVID serão selecionados em Londres e em regiões ao norte da Inglaterra. Os idealizadores do projeto salientam que não é preciso ter experiência com música.

“Nunca antes tive uma experiência como esta. Não pensei que algo como cantar pudesse ajudar com a minha respiração e melhorar minha recuperação da COVID, mas realmente me ajudou emocional e fisicamente”, diz Ludmila, que participou do piloto (os sobrenomes não foram divulgados).

Canções de ninar são conhecidas por acalmar e têm a vantagem de serem curtas, fáceis de lembrar e acessíveis a todos, além de fazerem parte de diferentes culturas no mundo inteiro. Elas ajudam muito na conexão emocional.

Mesmo recuperadas da COVID-19, muitas pessoas relatam problemas meses após a contaminação. Entre os principais sintomas estão fadiga física, exaustão mental, dor no peito e falta de ar. Até este momento, 110 milhões de casos da doença já foram confirmados globalmente.

“Estamos comprometidos em fazer a diferença na vida dessas pessoas e comunidades que se recuperam da COVID-19, usando nossas habilidades e recursos exclusivos de maneiras que sejam relevantes e úteis – e que sejam importantes para as pessoas”, afirma Jenny Mollica, diretora da ENO Baylis.

Abaixo, os depoimentos (em inglês) de vários participantes do programa:

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Foto: ENO Breathe, via English National Opera and Imperial College Healthcare NHS Trust

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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