Princípe de Liechtenstein é acusado de matar o maior e mais velho urso da Romênia e possivelmente, da Europa

Princípe austríaco é acusado de matar o maior e mais velho urso da Romênia e possivelmente, da Europa

É simplesmente inacreditável. Notícias como esta nos fazem pensar que alguns seres humanos ainda vivem nos tempos das cavernas quando o homem precisava lutar pela sua sobrevivência matando animais. Mas está é uma realidade de séculos atrás e a caça é uma atividade cruel e bárbara. E mais chocante ainda quando envolve um urso, provalvemente o maior e mais velho da Romênia, e possivelmente, da Europa.

Arthur, como era conhecido, era um urso que tinha aproximadamente 17 anos e vivia, tranquilamente, em uma região de bosques na área rural de Ojdula, em Covasna, na Romênia. Nunca houve relatos que o animal tenha chegado próximo a nenhum povoado.

Todavia, em março, Arthur foi morto pelo príncipe Emanuel von und zu Liechtenstein, da família real do principado de Liechtenstein. Segundo denúncia das organizações Agent Green e VGT Austria, o príncipe teria recebido uma autorização do governo da Romênia para matar uma ursa fêmea, filhote, que teria atacado algumas fazendas na região.

Emanuel von und zu Liechtenstein teria pago 7 mil euros, cerca de 44 mil reais, para conseguir a permissão de caça. E as organizações alegam que seria impossível confundir um macho, do tamanho de Arthur, com uma filhote fêmea.

“A retirada de grandes machos desestrutura a população da espécie. Não se sabe quantos ursos realmente existem e qualquer permissão de caça é perigosa. A caça de troféus deve ser proibida. É uma vergonha para a Áustria que o Príncipe Emanuel matoueste lindo urso apenas para incluir um novo “troféu” em sua lista de caça”, afirmou Ann-Kathrin Freude, da VGT.

De acordo com a Agent Green, o urso-pardo é uma espécie estritamente protegida pela legislação da União Europeia e pela Convenção de Berna. As revogações temporárias para sua caça são exceções que ocorrem em casos extremos, caso a caso, após uma avaliação completa da situação, sobretudo, quando a presença do animal coloca em risco vidas humanas. O abate é sempre o último recurso quando as alternativas (incluindo a realocação) falham.

A Comissão Europeia aprovou, inclusive, um orçamento para os Estados-Membros compensarem de forma justa quaisquer agricultores que sofram danos nas suas próprias terras relacionados com a presença de ursos.

As entidades de proteção animal acusam ainda o governo da Romênia de já ter infringido as leis europeias antes, ao conceder permissões de caças provisórias, e também, de não fazer um censo para ter uma real estimativa da população de ursos-pardos no país e assim, ter programas de conservação para a espécie.

O ministro do Meio Ambiente da Romênia, Tánczos Barna, afirmou que foi aberta uma investigação para apurar se o animal morto era Arthur. Até agora, Emanuel von und zu Liechtenstein não deu nenhuma declaração oficial sobre o assunto.

A imagem de Arthur morto

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Foto: divulgação Agent Green

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Princípe de Liechtenstein é acusado de matar o maior e mais velho urso da Romênia e possivelmente, da Europa

  • 11 de maio de 2021 em 4:18 PM
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    O que comprova que títulos reais de verdade às vezes pertencem aos anônimos que arriscam a própria vida para salvar outros seres vivos. Estes são reis.

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