Número de queimadas nos primeiros dias de agosto já supera aquelas de julho inteiro no Pantanal do Mato Grosso

Primeiros dias de agosto já superam número de queimadas de julho inteiro no Pantanal do Mato Grosso

Há três semanas os incêndios queimam a vegetação do Pantanal. Ações integradas de equipes da Marinha, Exército, Força Aérea, Corpo de Bombeiros e brigadistas de organizações da sociedade civil não têm sido suficientes para controlar o fogo.

Um levantamento feito pelo Instituto Centro de Vida (ICV), com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela que nos dez primeiros dias de agosto foram registrados 1.074 focos de calor apenas no estado do Mato Grosso, número 62% maior do que o contabilizado em julho inteiro, com 662 focos.

Quando comparado a agosto de 2019, só até o dia 10 deste mês, já há um aumento de 484% nos focos de queimada na porção mato-grossense do Pantanal. No mesmo mês do ano passado foram observados “somente” 184 focos.

Os municípios mais atingidos pelos incêndios nesse estado são Barão de Melgaço e Poconé. Como mostramos nesta reportagem ontem (11/08), neste último está localizada a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do país, a SESC Pantanal, uma Unidade de Conservação. Aproximadamente 35 mil hectares da área já foram queimados.

“É um cenário bastante preocupante e requer o máximo de esforços para ser mitigado. É enorme o impacto decorrente do que está acontecendo no bioma, tanto em termos da biodiversidade quanto sociais e econômicos”, avalia Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV.

O levantamento do instituto faz parte da ferramenta Monitor das Queimadas, lançada em julho.

Ainda segundo o monitoramento, a maior parte das queimadas ocorreu em imóveis registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) – 55% -, seguidos das áreas não cadastradas com 26%. Isso significa que, se os incêndios foram provocados de forma ilegal, os responsáveis podem ser indiciados criminalmente porque o governo federal decretou, em 15 de julho, uma moratória do fogo, proibindo queimadas por 120 dias no Pantanal e na Amazônia.

Ocorre é que muitos produtores colocam fogo em suas propriedades para “limpar” o solo e assim, poder plantar e ter pasto para o gado.

Todavia, como a área do Pantanal é muito extensa, a fiscalização sobre a realização de queimadas, agora proibidas, é muito difícil, relatam moradores locais.

Houve uma escassez de chuvas nos primeiros meses de 2020 e essa é uma das razões pela qual a temporada de incêndios na região, que normalmente se inicia em agosto e vai até outubro, pode ter chegado mais cedo.

Os brigadistas têm encontrado muitos animais mortos. Entre as principais vítimas estão répteis e anfíbios. Há também grande preocupação com aves, como a arara-azul, porque começa agora a época de reprodução da espécie e elas usam as árvores para fazer seus ninhos.

Primeiros dias de agosto já superam número de queimadas de julho inteiro no Pantanal do Mato Grosso

Sobrevoo sob área sendo queimada em Poconé

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Foto: Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (abertura) e Mayke Toscano/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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