Primavera pode chegar um mês antes devido ao aquecimento global

desabrochar de flores na primavera

É fato já notado por muita gente ao redor do planeta. Muitas vezes, a sensação é que as estações do ano estão trocadas. Calor insuportável no inverno, chuva fora de época, seca em períodos que deveriam de chuva. 2015 deve superar o – triste – recorde de 2014 e se tornar o ano mais quente da história da humanidade, desde que as medições da temperatura terrestre começaram a ser realizadas.

Com esta confusão climática, a natureza tenta se adaptar como pode. Mas nem sempre da maneira ideal. Para pesquisar os efeitos das mudanças climáticas sobre as plantas, cientistas da Universidade Wisconsin-Madison, U.S. Fish and Wildlife Service e U.S. Geological Survey realizaram estudo que analisa as chamadas “falsas primaveras”, ou seja, quando o tempo começa a esquentar antes do previsto e abruptamente volta a esfriar, e o impacto disso sobre as plantas e animais a longo prazo.

Usando modelos de computador e tendo como base o comportamento do clima e da natureza nas últimas décadas, os pesquisadores chegaram à conclusão que a primavera chegará um mês mais cedo até 2100. E será diferente da qual estamos acostumados.

O estudo*, divulgado na publicação Environmental Research Letter, revela que o início do crescimento das plantas vem sendo antecipado nos últimos anos. Para isso, a equipe americana utilizou dados desde 1950, que indicam o período entre o aparecimento das primeiras folhas nas vegetações até o desabrochar das flores.

Segundo os cientistas, a mudança no clima prejudicará o desenvolvimento de plantas que dependem dos avisos da natureza para crescer e ainda, provocará incompatibilidades fenológicas (relação entre seres vivos e condições do ambiente, como umidade, temperatura e luz), entre a disponibilidade de recursos vegetais e animais dependentes dos mesmos.

Um exemplo desta interação é a migração das aves. Os pássaros costumam perceber a duração do dia (horas de luz) como sinais migratórios. Já as plantas, utilizam a temperatura. De acordo com a pesquisa, é possível que haja um descompasso entre ambos. Da mesma maneira, o processo de polinização feito por insetos pode ser prejudicado.

Nos Estados Unidos, de onde as medições foram retiradas, a costa oeste do país deve ser a mais afetada com o impacto das mudanças climáticas sobre a primavera. É justamente esta região, principalmente o estado da Califórnia, que tem enfrentado uma seca histórica, que já dura mais de três anos.

*Estudo completo Spring plant phenology and false springs in the conterminous US during the 21st century pode ser encontrado aqui neste link.


Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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