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Presidente de Portugal diz que país deveria pedir desculpas pela escravidão e confrontar seu passado colonial

Diante de Lula, presidente de Portugal diz que país deveria pedir desculpas pela escravidão e confrontar seu passado colonial

Ontem, 25 de abril, durante a celebração da Revolução dos Cravos, de 1974 – que sepultou a ditadura salazarista – e diante do presidente Lula, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou que seu país deveria se desculpar pela escravidão, além de assumir responsabilidade pelo comércio transatlântico de escravos.

“Não é apenas pedir desculpa – devida, sem dúvida – por aquilo que fizemos, porque pedir desculpa é às vezes o que há de mais fácil, pede-se desculpa, vira-se as costas, e está cumprida a função. Não, é assumir a responsabilidade para o futuro daquilo que de bom e de mau fizemos no passado”.

Esta é a primeira vez que um líder português comenta sobre seu passado colonial (séculos 15 a 19), quando o país sequestrou e transportou em navios, através do Oceano Atlântico, seis milhões de africanos vendidos como escravos, em especial para o Brasil (para cá vieram cerca de 4,86 milhões, segundo o Bando de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos).

Ao mesmo tempo em que destacou que “a exploração dos povos indígenas… escravidão, o sacrifício dos interesses do Brasil e dos brasileiros” pertencem ao “lado ruim” da colonização, Rebelo de Sousa citou pontos positivos desse período, como a difusão da língua e da cultura portuguesas.

Nas escolas de Portugal, pouco é ensinado sobre sua história nesse período nefasto. Certamente por isso, a maioria dos portugueses sente orgulho de seu domínio sobre países como Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique e Timor-Leste, como também em partes da Índia.

Em entrevista ao site DW, em agosto de 2022, o escritor brasileiro Laurentino Gomes – autor de trilogia sobre a escravidão e sete vezes agraciado com o Prêmio Jabuti – declarou que as consequências do extermínio de indígenas e negros continuam sendo fortemente sentidas e que um pedido de desculpas de Portugal ajudaria o Brasil a enfrentar essa herança maldita.

Hoje, em suas redes sociais, Gomes reiterou o que disse no ano passado ao comentar o “pronunciamento notável e muito esperado” do presidente de Portugal:

“Reconhecer os erros do passado é importante porque tem consequências no presente. O perdão é o primeiro passo para a reconciliação e um melhor entendimento entre povos descendentes de escravizados e escravizadores. O segundo passo, tão importante quanto o primeiro, deve ser a criação de fundos e adoção de leis e práticas que ajudem a corrigir a herança da escravidão”, e completou:

“O governo português já tinha feito um pedido formal de desculpas aos judeus, expulsos, perseguidos e forçados a se converterem ao cristianismo nos séculos XV e XVI. Como resultado, hoje, descendentes de judeus sefarditas tem direito à cidadania portuguesa”.

Crimes de ódio

Em relatório divulgado em 2021, o Conselho da Europa – principal instituição de direitos humanos do continente europeu – ressalta que Portugal precisa implementar ações afirmativas de forma a se confrontar com seu passado escravocrata, a fim de ajudar a combater a discriminação e o racismo.

Assinado por Dunja Mijatoviccomissária para Direitos Humanos da organização, o documento revela grande preocupação em relação ao aumento de crimes de ódio por motivos raciais no país.
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Leia também:
Professor por formação, presidente de Portugal vai à televisão dar aula para alunos do país

Fontes: G1, Estadão, DW

Foto: João Pedro Correia/Wikimedia Commons (sob licença CC BY 2.0)

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