Prefeito de Londres proíbe anúncios que estimulem padrões de beleza irreais

prefeito de londres proíbe anúncios com padrão de beleza irreal

Loira, linda e magérrima. Assim como a modelo acima, outras centenas estão espalhadas em anúncios de revistas, outdoors, propagandas de televisão no mundo inteiro. Mas este padrão de beleza é real? Nas ruas, quantas mulheres realmente se parecem com estas que estão estampadas na publicidade? E qual é o impacto disso na vida de jovens e adolescentes ao pensar que devem ter um corpo como este?

“Como pai de duas adolescentes, fico extremamente preocupado com este tipo de propaganda, que pode humilhar pessoas, especialmene mulheres e fazê-las se sentir envergonhadas do próprio corpo”. A afirmação é do novo prefeito de Londres, Sadiq Khan, que acaba de anunciar a proibição da veiculação de anúncios que estimulem um padrão de beleza irreal nos espaços publicitários do transporte público da capital inglesa.

“Ninguém pode ser obrigado, enquanto está viajando de trem ou ônibus, a ter expectativas irreais sobre seu corpo”, completou. A notícia foi divulgada no começo desta semana e a nova lei entra em vigor já no mês que vem, em julho.

O sistema de transporte público de Londres é um gigantesco canal de mídia. Estações de metrô, trens e os famosos ônibus de dois andares, que circulam pela cidade inteira, servem de espaço para aproximadamente 12 mil peças publicitárias por ano, que na ponta do lápis, correspondem a algo em torno de 1,5 bilhão de libras. “Ao contrário de anúncios na televisão ou numa revista, onde é possível simplesmente trocar o canal ou virar a página, os usuários do transporte público não têm esta opção”, ressaltou Graeme Craig, diretor de publicidade do Departamento de Transporte Público, em entrevista ao The New York Times.

No ano passado, houve grande polêmica na capital londrina quando o outdoor que está na abertura deste post foi exposto em estações de metrô. Irritadas, muitas mulheres protestaram nas redes sociais e pessoalmente, em frente ao cartaz e até em parques de Londres, indignadas com a propaganda com a modelo de biquini amarelo e a pergunta: “Seu corpo está pronto para o verão?”.

A mensagem clara de Khan endossa um movimento de outros países europeus para combater a publicidade que estimula padrões doentios de beleza, não compatíveis com a realidade, e que só trazem prejuízos físicos e mentais à mulheres, mas sobretudo, jovens adolescentes.

Os governos da Itália, Espanha e Israel já aprovaram leis que proíbem modelos esqueléticas de trabalhar no mercado da moda. Na França, agências são obrigadas a apresentar atestado médico certificando que suas manequins estão em condições saudáveis, ou seja, com o peso ideal.

Afinal, mulher sexy só pode ser magra, linda e loira? Não, né?

Foto: divulgação Protein World

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta