“Precisamos ter mais compaixão e respeito pelos animais e por seus habitats para criar um futuro melhor”, alerta Jane Goodall

”Somos parte do mundo animal, não estamos separados, e é nossa responsabilidade respeitar e proteger o mundo natural“, diz a primatóloga e antropóloga britânica, que, este ano, completa seis décadas dedicadas aos chimpanzés. Quando tinha 26 anos, Jane Goodall saiu de casa para se embrenhar nas matas de Gombe, na Tanzânia, onde desvendou o misterioso mundo desses animais.

Sempre que tem uma oportunidade, a ambientalista deixa uma mensagem linda e comovente em suas redes sociais. Neste Dia Mundial dos Animais, lembrou que seus estudos com os chimpanzés “tornaram muito fácil afirmar que não há uma linha nítida entre nós e o resto do reino animal. A diferença está em grau, não na espécie”.

Suas pesquisas e descobertas, sem dúvida, ajudaram a redefinir nossa relação com o restante do “reino animal”. Por isso, Jane é ouvida, não apenas quando o tema se refere aos chimpanzés, mas também à preservação ambiental e às mudanças climáticas.

Foto: Divulgação/Instituto Jane Goodall

Em vídeo gravado especialmente para este dia, Jane contou que passou a infância observando pássaros, esquilos e raposas nos jardins da casa onde morava, no Reino Unido, que é – conta – onde está confinada desde o início da pandemia. “Aprendi com a natureza e os livros”.

Quando começou a estudar na Universidade de Cambridge, logo se encantou pelos chimpanzés, nos quais viu muitas semelhanças com os humanos. Mas ouviu de alguns de seus professores que ela não poderia falar sobre personalidade, mente ou emoção desses animais porque estas eram caraterísticas exclusivas dos seres humanos.

“Infelizmente, a ciência introduziu essa forma de pensar. Mas agora percebemos que fazemos parte de um reino não separado do resto do reino animal”, destaca a cientista.

“Os chimpanzés são os animais mais parecidos conosco, mais do que qualquer outra criatura viva. Eles compartilham 98,6% do nosso DNA. “As mães amam, sentem compaixão e altruísmo, mas são boas ou más mães, como os seres humanos”.

E continua: “Depois de estudar a personalidade animal, descobrimos que alguns são muito mais inteligentes do que poderíamos supor. E não me refiro apenas aos ‘grandes macacos’, mas também aos elefantes, às baleias, aos golfinhos”.

A lista é extensa, na verdade. Porcos, ratos, pássaros… todos “incrivelmente inteligentes”. Na pecuária, salienta: “porcos sentem medo e dor”. Os ratos? “Descobrem minas terrestres muito profundas sob o solo!”, como noticiamos aqui, no site, esta semana.

E fala dos polvos, animais pelos quais tenho apreço especial desde menina e que são muito bem retratados nos documentários Baía Urbana, do cinegrafista e oceanógrafo carioca Ricardo Gomes, e Professor Polvo (Netflix). Veja o que Jane diz sobre eles:

“Os polvos são muito inteligentes, mas de uma forma diferente de nós. Eles têm 9 cérebros: um na cabeça e um em cada braço ou tentáculo. E, por isso, eles podem resolver diversos tipos de problemas, ao mesmo tempo”. E Jane finaliza:

“Temos muito o que aprender com esses animais incríveis. E uma coisa é certa: precisamos parar a crueldade! Precisamos ensinar os jovens ao redor do mundo sobre compaixão e respeito aos animais”. E destacou o programa Roots & Shoots, que ela fundou em 1991 com seu Instituto, justamente para inspirar os jovens a serem agentes de mudança em suas comunidades. O projeto atua em 65 países.

“Foi o desrespeito aos animais e a seus habitats que, em parte, nos levou à pandemia do coronavírus porque destruímos seus habitats”. Recentemente, Jane comentou sobre a pandemia num debate virtual promovido pela organização Compassion in World Family, no qual destacou que este momento delicado poderia ser “um chamado para a mudança” (como contamos aqui).

Neste dia dos animais, ela voltou ao tema, dizendo que, se continuaremos invadindo os lugares onde os animais vivem, traficando-os (o comércio de animais exóticos na Ásia continua intenso) e matando-os para comer, destruindo as florestas, poderemos, em breve, “criar uma nova doença como a covid-19“.

Não podemos esquecer, ainda, que doenças zoonóticas como a transmitida pelo novo coronavírus “surgiram da crueldade e de condições anti-higiênicas das fazendas intensivas de animais e de fazendas industriais”.

“O desrespeito ao habitat dos animais também nos levou a esta crise climática. Precisamos nos reunir como uma família humana, ao redor do mundo, e, de alguma forma, encontrar uma maneira especial de lidar com os animais e o meio ambiente para criar um futuro melhor, uma economia verde, com respeito por toda a vida”.

Creio que já sabemos de tudo isso, mas sempre é bom lembrar, refletir, compartilhar estas reflexões pra tentar não esquecer, até que tenhamos compreendido, de fato.

Fica então registrada esta mensagem potente de Jane Goodall para o Dia Mundial dos Animais, neste momento em que Pantanal, Amazônia e Cerrado queimam: as chamas levam a vegetação e muito de sua fauna, com sua diversidade imensurável.

Agora, assista a Jane Goodall no Instagram:

Foto (destaque): Shawn Sweeney/Jane Goodall Institute

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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