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Possibilidades de futuro voltam a se desenhar no horizonte

Possibilidades de futuro voltam a se desenhar no horizonte

Estive em Manaus na semana passada, participando do 2º FIINSA (Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia). Nunca tinha visto tanta gente que trabalha para fomentar e desenvolver uma economia que mantém a floresta em pé e gera renda para as populações amazônicas reunida.

Lideranças indígenas, ribeirinhas, empreendedores, financiadores, filantropos, organizações da sociedade civil, da academia e formadores de opinião, todos juntos, em muita troca e conexão.

Semanas antes, em outro lado do mundo, tivemos a COP 27 – Conferência da ONU pelo Clima, que aconteceu no Egito, de onde, pela primeira vez, o mundo saiu com algo concreto relacionado a perdas e danos e adaptação às mudanças climáticas.

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Isto é fundamental, já que sabemos que seus efeitos não chegam da mesma maneira a todas as regiões e pessoas, e que refletem e potencializam a desigualdade social. É preciso buscar justiça socioambiental ao mesmo tempo em que os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa se posicionam, também, no centro das atenções.

E, agora, temos a COP 15 – Conferência de Biodiversidade da ONU, em Montreal, no Canadá, também mobilizando o mundo.

No meio de tudo isso o Brasil teve eleições, e um peso saiu de nossos ossos e mentes cansados, atravessados por tanta barbárie nos últimos quatro anos do governo federal e que, agora, felizmente, se vai para nos trazer possibilidades de futuros.

Essas possibilidades tinham nos deixado, porque o que nos restou a fazer foi lutar para que o que já tinha sido alcançado em termos de acesso a direitos, conservação de nossas matas, mudança climática e proteção de ativistas indígenas, quilombolas e ambientalistas, fosse preservado o máximo possível.

Enquanto sociedade civil, resistimos. Mas não sem atrocidades no caminho. E agora temos os anos vindouros para a reconstrução.

Reconstruir e avançar

Ainda tínhamos muito a avançar em todos esses tópicos, que citei acima, quando fomos atravessados por esse governo que agora se vai. E nossos desafios são imensos, em um movimento simultâneo de, enquanto reconstruímos, insistir em avançar, em ir além do que já tínhamos conquistado.

Avançar nos direitos das populações pretas, indígenas, ribeirinhas, LGBTQIA+, dos agricultores e agricultoras familiares. Na economia solidária. Nos afetos que constroem pontes e possibilidades. No combate à crise climática, na preservação e conservação de todos os nossos biomas. Da nossa biodiversidade, que tanto nos enche de orgulho, mas que tão ameaçada está, e que ainda segue protegida pelos povos da floresta. Que também correm riscos.

Como todas e todos nós, termino 2022 exausta desses últimos quatro anos. Mas com um alívio e combustível extra para os anos vindouros. Que não serão fáceis, já sabemos. Reconstrução e avanços não chegam sem muito esforço.

Espero trazer aqui, cada vez mais, avanços em economia solidária, em negócios sociais e de impacto, na conservação das nossas florestas, na agricultura familiar, na justiça climática, enfim. Todos esses temas. que tenho abordado neste blog, no Conexão Planeta, me fazem acreditar que outros modos de desenvolvimento são possíveis.

Por enquanto, temos hackeado o sistema, aproveitando brechas e inserindo, cada vez mais, esses modos de produzir e de estar no mundo, potencializando outras vozes e fazeres. Mas com os cenários de futuro trazidos pelo IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, essa mudança se mostra essencial para assegurar a sobrevivência no planeta.

Planeta aturdido pela emergência climática

A humanidade deve se preparar para ondas de calor, seca extremas, enchentes, perda de produtividade humana e agrícola, extinção de espécies e migrações humanas motivadas pelas condições climáticas. Parte disso já acontece em várias regiões do mundo, e no Brasil, inclusive.

O antropoceno, a era em que bagunçamos o planeta com nosso modo de produzir e consumir desde a revolução industrial, nos trouxe a um ponto em que precisaremos mudar de forma contundente se quisermos garantir futuro.

O IPCC destaca a necessidade de transformações rápidas, em todos os setores, para evitar os piores impactos climáticos, Mudanças de comportamento e estilo de vida têm papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas, além da necessidade de remover carbono da atmosfera e de aumentar o financiamento climático de três a seis vezes até 2030.

É o grande desafio de unir ciência, saberes ancestrais dos povos originários e das florestas, recursos financeiros e corações e mentes na busca de soluções concretas e urgentes.

É também fundamental o desafio de reduzir desigualdades e promover justiça socioambiental, já que as populações mais vulneráveis socialmente são também as que mais sofrerão, e já sofrem, os efeitos das mudanças climáticas.

Ailton Krenak, em seu mais novo livro, Futuro Ancestral, já diz:

“Os rios, esses seres que sempre habitaram os mundos em diferentes formas, são quem me sugerem que, se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral, porque já esteve aqui […] Sejamos água, em matéria e espírito, em nossa movência e capacidade de mudar de rumo, ou estaremos perdidos”.

Foto: Pixabay/Wikimedia Commons

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