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População de onças-pintadas na região do Parque Nacional do Iguaçu tem leve queda, revela novo censo

População de onças-pintadas na região do Parque Nacional do Iguaçu tem leve queda, revela novo censo

Desde 2005, a cada dois anos, os projetos Onças do Iguaçu (ICMBio/Brasil) e Yaguareté (Argentina) realizam um censo binacional para estimar o número de onças-pintadas (Panthera onca) na região do chamado Corredor Verde, que inclui o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. E acaba de ser divulgado o resultado do mais recentemente levantamento, feito em 2024, que aponta uma leve queda no número desses felinos.

Segundo o monitoramento, vivem hoje nessa área cerca de 84 onças-pintadas, em relação a aproximadamente 93 indivíduos indicados no censo de 2022. Apesar da redução, o Onças do Iguaçu afirma que a população permanece relativamente estável “dentro das faixas naturais de variação para grandes felinos que ocupam áreas extensas.”

Já na região específica do Parque Nacional do Iguaçu, há uma população estimada de 23 onças, contra 25 no levantamento anterior. Contudo, 27 indivíduos diferentes foram fotografados nos três meses de amostragem de 2024, dois a mais que em 2022 (a equipe do Onças do Iguaçu faz a identificação de cada animal por características físicas únicas, como as rosetas – manchas escuras na pele com formatos diferentes para cada indivíduo -, e todas elas ganham nomes em tupi-guarani).

O censo de 2024, o maior já realizado até hoje, foi feito com a ajuda de imagens de armadilhas fotográficas – 267 estações de câmeras espalhadas por mais de 570 mil hectares de Mata Atlântica nos dois países -, e modelos matemáticos, que geram estimativas populacionais confiáveis, usadas para orientar políticas de conservação.

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“Mesmo diante de desafios complexos, conseguimos manter uma população relativamente estável ao longo dos últimos anos. Isso demonstra que as estratégias de conservação e manejo adotadas estão funcionando. Sem essas medidas, muitos desses felinos não estariam mais aqui”, ressalta Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu. “A leve queda é um alerta, mas também uma prova de que esforços conjuntos e contínuos podem evitar retrocessos.”

“Já revertemos um colapso populacional antes; podemos fazê-lo de novo, desde que mantenhamos o foco nas soluções construídas com quem vive na fronteira da floresta”, reforça Agustín Paviolo, do Proyecto Yaguareté.

Vale lembrar ainda que o tamanho da população da espécie depende também da sua área de ocorrência. Para especialistas, o Corredor Verde tem uma capacidade aproximada de suporte (ou seja, quantas onças podem viver na região) de 250 indivíduos.

Yara explica que a onça-pintada é espécie guarda-chuva. “Sua proteção salvaguarda a floresta, cursos d’água e inúmeros outros seres vivos – inclusive modos de vida humanos que dependem de ecossistemas saudáveis. Manter essa população viva é um compromisso de longo prazo que envolve ciência, fiscalização, diálogo comunitário e cooperação trinacional.”

Onça-pintada quase foi extinta na região

Há cerca de 35 anos, estima-se que o Corredor Verde entre Brasil e Argentina abrigasse uma população de 400 a 800 onças-pintadas. Porém, ao final da década de 90, abate, caça e perda de habitat provocaram um declínio alarmante: em 2005, restavam cerca de 40 animais em toda a área. No Parque Nacional do Iguaçu, apenas 9 a 11 indivíduos foram registrados em 2009, ou seja, a espécie estava sendo levada à extinção.

Mas graças ao trabalho de conservação, como o da Onças do Iguaçu, que envolve não apenas o monitoramento, mas programas de educação ambiental e conscientização entre as comunidades locais, a situação foi revertida e a população de onças voltou a crescer.

Como reconhecimento por esse trabalho e sua trajetória, a coordenadora executiva do Onças do Iguaçu recebeu no final de abril o Whitley Awards 2025, considerado o maior prêmio internacional na área ambiental, concedido anualmente pelo Whitley Fund for Nature (WFN), fundação do Reino Unido, que seleciona “aqueles que se destacaram por seu empenho científico para a conservação da biodiversidade em países do Hemisfério Sul.” Além dele, Yara também está entre as cinco mulheres do mundo todo homenageadas com o WINGS Women of Discovery 2025, premiação que promove e financia o trabalho de pioneiras em suas áreas (a cerimônia de entrega desse prêmio acontecerá em 9 de outubro, durante um jantar de gala em Nova York, nos Estados Unidos.)

A bióloga também coordena o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Grandes Felinos no Brasil e é membro da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), especializada em planejamento de conservação no país.

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Fotos de abertura: Nicolás from Pixabay

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Maria de Fatima Gonçalves
Maria de Fatima Gonçalves
5 meses atrás

O Brasil por ter biodiversidade precisa desde cedo nas escolas procurar incentivar as crianças atraves de uma educação ambiental a convivência com animais silvestres a respeitar a natureza a deixar limpa as nascentes de água a plantarem árvores em lugares devastados a jogarem sementes nas matas a fiscalizarem e cuidarem da própria Terra.Vejo um descaso imenso nesse país em relação a todas as causas do.meio ambiente e só mudança de mentalidade gera mudanças de comportamento ♥️

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