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Polêmica nos EUA: cuidadores e veterinários alertam que o melhor para Lolita é continuar em cativeiro

Polêmica nos EUA: cuidadores e veterinários alertam que o melhor para Lolita é continuar em cativeiro

Há pouco mais de duas semanas, uma notícia ganhou as manchetes do mundo inteiro: após mais de 50 anos em cativeiro, a orca Lolita seria finalmente devolvida à natureza. O anúncio foi feito em conjunto pelo Miami Seaquarium, a organização Friends of Lolita e o filantropo Jim Irsay.

Lolita é a orca mais velha do mundo em cativeiro, já tem 58 anos. Quando tinha aproximadamente quatro anos de idade e estava ao lado outras cinco orcas, ela foi arrancada da vida selvagem. A filhote fazia parte de um grupo de cerca de 80 indivíduos que vivia na região norte da costa dos Estados Unidos, perto do estado de Washington.

Usando barcos, explosivos e redes, caçadores separaram os animais mais jovens dos adultos para serem vendidos para aquários. Em 1970, Tokitae chegou ao Miami Seaquarium, na Flórida, onde foi rebatizada com o nome de Lolita, e passou as últimas cinco décadas nadando numa piscina minúscula e fazendo shows para turistas.

Há anos diversas organizações lutam para que ela volte à natureza. Em 2022, o Miami Seaquarium foi comprado pelo grupo Dolphin Company. Foi anunciado então que Lolita seria aposentada e não faria mais shows. Desde então intensificaram-se as negociações para o retorno da orca à vida livre.

Na nota divulgada recentemente, o grupo diz que a expectativa é que Lolita possa ser levada de volta ao mar daqui a 18 ou 24 meses. Certamente não será algo fácil. Será preciso ainda de permissão de agências federais dos Estados Unidos para que a operação seja realizada.

Todavia, vários especialistas criticaram o projeto da possível reintrodução. Eles não acreditam que seja o melhor para Lolita e que ela tem grandes chances de morrer. Eles lembram o que aconteceu em 2002, com a orca Keiko, personagem do filme Free Willy, solta na natureza.

Foram gastos milhões de dólares e embora ela tenha passado por um período de readaptação, infelizmente, acabou morrendo 18 meses depois, sozinha, sem conseguir interagir com outros animais da mesma espécie e ainda buscando o contato humano.

O grupo chamado de Truth 4 Toki veio à público protestar contra o plano de tirar Lolita do cativeiro. Criou, inclusive, uma petição online para advogar que ela seja levada para um local maior, o Shamu Stadium no SeaWorld Orlando, mas não para o oceano.

“O Truth 4 Toki é composto por 35 especialistas em mamíferos marinhos com 350 anos de experiência coletiva. Somos os atuais e antigos treinadores, veterinários e cuidadores de Toki. Se você realmente se importa com Toki, por favor, nos ouça”, diz o grupo. “Lolita, ou Tokitae (Toki), mora no Miami Seaquarium há mais de 50 anos. Ao longo das décadas, muitos falaram sobre melhorar as condições de Toki, mas nada aconteceu, e a coletiva de imprensa não apresentou nenhum plano de ação executável, mas espera que ela seja transferida para suas águas de origem em 6 a 9 meses”.

Segundo a organização, Lolita possui diversos problemas de saúde.

“Lolita sobreviveu tanto tempo por nossa causa. Então, por favor, ouçam-nos. A vida dela depende disso”, prega a petição.

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Foto de abertura: divulgação Change.org

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Marlise Alves V Araujo
Marlise Alves V Araujo
1 ano atrás

O grupo de especialista Truth 4 Toki está corretíssimo. Não há possibilidade da Toki, a essa altura da vida conseguir sobreviver no oceano aberto. O crime já foi cometido. O lucro já foi obtido. Agora poderiam ao menos deixar o animal viver com mais conforto e respeito em algum aquário maior.

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