Plataforma mapeia um ‘Brasil agroecológico’ que se mobiliza por saberes, direitos e solidariedade

Plataforma mapeia um 'Brasil agroecológico' que se mobiliza por saberes, direitos e solidariedade

São muitos os saberes que movem a agroecologia no Brasil. Tantos, que muitas vezes o processo de encontrá-los torna-se difícil. A agroecologia está quase sempre ligada a diversas lutas nos territórios. A outros modos de estar na terra. A direitos humanos.

Em rede, a visão desses saberes mostra-se potente e capaz de inspirar e fomentar novos avanços. E de fortalecer as iniciativas que resistem nos diferentes pedaços do Brasil.

É assim que a Agroecologia em Rede (AeR) se configura, como ferramenta de ecologia de saberes a serviço da construção do movimento agroecológico.

Uma plataforma virtual que oferece infraestrutura composta por tecnologias da informação em software livre para que redes do campo agroecológico se auto identifiquem e mapeiem suas experiências a partir de critérios por elas mesmas estabelecidos.

Criada no início dos anos 2.000, a AeR é resultado do trabalho conjunto e coletivo realizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela Cooperativa Eita – sobre a qual já escrevi aqui no Conexão Planetae por outras redes e organizações.

A iniciativa contribui para a sistematização de dados e informações úteis para reflexões, compondo mapas de representação da distribuição espacial das organizações e experiências, e gera relatórios de dados agregados e recortes analíticos selecionados por seus usuários.

Por meio de dois grandes processos, a AeR se organiza: as chamadas Frentes Mapeantes, que fazem o processo de pesquisa e sistematização de experiências usando a plataforma, e as Frentes de Cuidado e Organização, responsáveis pela gestão interna, comunicação, apoio técnico e articulação das frentes.

Juntas, elas possibilitam um espaço de encontro, articulação e construção de conhecimento.

“A plataforma virtual reflete um trabalho cotidiano construído por muitas mãos, em um processo amplo e participativo de reconhecimento e escuta. Aqui, todas as experiências populares de resistência têm voz, e a voz de uma amplifica a da outra,” vocaliza a AeR.

Árvore temática dá conta da complexidade das experiências

Ao todo, 19 temas demonstram o esforço da rede em articular as temáticas e viabilizar processos e lutas em curso nos territórios.

Incluem agricultura urbana e periurbana; águas e saneamento; campesinato, povos, comunidades tradicionais e outros modos de vida; cooperativismo e outros arranjos comunitários; educação e construção do conhecimento agroecológico; juventudes; mulheres e feminismos; terra, território e ancestralidade; economia solidária e outras economias; impactos de grandes obras e outras violências; políticas públicas e fomentos etc.

A base de dados permite filtrar as consultas por quatro categorias: mapeamentos, áreas temáticas, tipos de cadastro e localização.

O primeiro filtro que selecionei foi economia solidária e outras economias. Encontrei iniciativas em Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Piauí, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, Pará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Tocantins, Distrito Federal, Minas Gerais, enfim, espalhadas por praticamente todos os territórios do Brasil.

Cada iniciativa tem uma ficha que descreve a atuação, as áreas temáticas envolvidas, localização e organização de referência.

São políticas públicas, feiras solidárias agroecológicos e de produtos indígenas, cestas solidárias, bancos comunitários, fomento à produção e comercialização da agricultura familiar orgânica, hortas comunitárias, células de consumidores responsáveis, comunidades agroecológicas…enfim, centenas de iniciativas.

É incrível ver esse mapa de um Brasil que se mobiliza por saberes, pessoas, direitos e solidariedade. Por um país rico em sua diversidade e potência de novas construções. Um país que resiste.

Como participar

Na plataforma, é possível navegar pelos mapeamentos em curso e cadastrar experiências na rede de histórias.

Mas é também possível usar o AeR como uma ferramenta de pesquisa e sistematização, já que um dos principais objetivos da iniciativa é promover conexões entre as experiências em agroecologia que existem e resistem no Brasil e na América Latina.

Se este é o caso, é preciso entrar em contato com a Secretaria Executiva da AeR e, de acordo com tipo, perfil e natureza da iniciativa, avalia-se a necessidade de criar um instrumento próprio ou promover a integração com outros mapeamentos já existentes.

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Edição: Mônica Nunes

Foto: Ligue os Pontos (milho cultivado na Aldeia Guarani Kalipety, município de São Paulo)

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22 e com a AMAZ aceleradora de impacto. Atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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