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Pitbulls que atacaram Roseana Murray eram perigosos ou maltratados?

Pitbulls que atacaram Roseane Murray eram perigosos ou mau-tratados?

Após o ataque trágico de três pitbulls a Roseana Murray, em Saquarema, na região dos Lagos, na sexta-feira passada (05/04), voltou à tona o debate sobre o perigo de se ter cães dessa raça. A escritora e poetisa de obras infanto-juvenis tinha começado a caminhar perto da sua casa, bem cedo, quando os cachorros de um vizinho pularam o muro.

Roseana foi atacada e arrastada por vários metros pelos pitbulls, segundo relatos de pessoas que viram a cena. Em estado grave ela foi levada de helicóptero para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Infelizmente, dada a gravidade dos ferimentos, os médicos precisaram amputar um dos braços da escritora. Ela também uma orelha e teve os lábios e o outro braço reconstruídos.

Segundo informações divulgadas pela família nesta segunda-feira, Roseane foi extubada e está respirando sem a ajuda de aparelhos. Ela também teria respondido a alguns estímulos usando os olhos e mexendo a mão.

Agentes da 124ª Delegacia de Polícia de Saquarema prenderam em flagrante os três tutores dos pitbulls. Eles responderão pelo crime de maus-tratos de animais e lesão corporal. Os cães eram mantidos em péssimas condições, estavam subnutridos e estressados, o que pode ter provocado a agressividade deles.

Além disso, desde 2005 há uma lei estadual no Rio de Janeiro que determina que cães da raça pitbull, fila, doberman e rottweiler só circulem em locais públicos usando guias e focinheira e sob os cuidados de uma pessoa maior de 18 anos.

Relatos de moradores locais dão conta de que os pitbulls já tinham atacado outras pessoas.  Ana Beatriz da Conceição, Kaíque da Conceição e Davidson Ribeiro dos Santos, os tutores dos animais, estão em prisão preventiva pelos próximos 90 dias.

Os cães foram levados para um lar temporário.

Agressividade é genética?

Muitas das raças que conhecemos nos dias de hoje foram criadas para um propósito específico no passado. O pointer inglês, por exemplo, um cruzamento com mais pelo menos quatro raças – greyhound, foxhound, bloodhound e bull terrier, é capaz de percorrer longas distâncias para apontar uma presa. Já o border collie é um excelente cão de pastoreio, que ajuda a reunir e proteger rebanhos.

O pitbull é um descendente do English bull-baiting dog, uma raça criada para morder touros, ursos e outros animais de grande porte ao redor do rosto e da cabeça. Quando isso foi proibido em 1800, os pitbulls eram usados em lutas. Houve então o cruzamento com outras raças menores, para que eles se tornassem mais ágeis e musculosos.

Todavia, especialistas afirmam que a genética nem sempre é preponderante em casos dos cães que atacaram Roseana Murray.

“Embora a genética de um cão possa predispô-lo a se comportar de certas maneiras, ela não existe no vácuo. Em vez disso, o comportamento se desenvolve através de uma interação complexa entre o ambiente e a genética. Esta é uma consideração especialmente importante quando olhamos para um cão individual versus uma raça”, diz a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade a Animais (ASPCA).

Segundo a entidade, muitos e diversos fatores e por vezes, sutis, influenciam o desenvolvimento do comportamento, incluindo, entre outros, a alimentação no começo da vida, os níveis de estresse experimentados pela mãe durante a gravidez e até mesmo, a temperatura no útero. E quando se trata de influenciar o comportamento de um cão em específico, fatores como as condições de alojamento e o histórico de interações sociais desempenham papeis fundamentais no desenvolvimento comportamental.

“Geralmente é impossível apontar qualquer influência específica que explique a agressividade de um cão. É por isso que existe tanta variação no comportamento entre indivíduos, mesmo quando são da mesma raça e criados para o mesmo propósito. Devido ao impacto da experiência, o pitbull criado especificamente para ser agressivo por gerações pode não brigar com cães e o labrador retriever criado para ser um cão de serviço pode ser agressivo com as pessoas”, afirma a ASPCA.

Por esta razão, a sociedade americana é contra a proibição da criação de certas raças, como acontece no Reino Unido, onde estão banidas a posse e a reprodução do American XL bully, tosa japonês, dogo argentino, fila brasileiro e o pitbull (leia mais aqui).

“Todos os cães, incluindo pitbulls, são indivíduos. Tratá-los como tal, proporcionar-lhes os cuidados, o treino e a supervisão de que necessitam, e julgá-los pelas suas ações e não pelo seu DNA ou pela sua aparência física é a melhor forma de garantir que cães e pessoas possam continuar a compartilhar vidas seguras e felizes juntos”, reforça a entidade dos Estados Unidos.

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Foto de abertura: divulgação 124ª Delegacia de Polícia de Saquarema

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