Pior índice dos últimos dez anos: aumento do desmatamento na Amazônia chega a quase 30% em 2021

Pior índice dos últimos dez anos: aumento do desmatamento na Amazônia chega a quase 30% em 2021

Como já era de se esperar diante do monitoramento mensal feito no ano passado, dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgados hoje (17/01) confirmam uma triste notícia: a destruição na Amazônia cresceu 29% em 2021, chegando a 10.362 km², o maior índice dos últimos dez anos.

Segundo a análise do Imazon, de janeiro a dezembro foi devastada uma área de mata nativa que equivale à metade do estado de Sergipe.

Mês a mês o Pará foi se consolidando como o principal responsável pelo desmatamento da floresta. O estado sozinho destruiu 4.037 km². Mas em toda a Amazônia Legal, formada por nove estados, apenas o Amapá não registrou aumento de área desmatada no ano passado em comparação a 2020.

“Os estados realizam ações de combate ao desmatamento, porém elas acabam sendo insuficientes diante da crescente devastação que a Amazônia está enfrentando. Os estados precisam assumir o compromisso de intensificar as ações de fiscalização”, destaca Larissa Amorim, pesquisadora do instituto.

Pior índice dos últimos dez anos: aumento do desmatamento na Amazônia chega a quase 30% em 2021

Gráfico revela que a tendência de aumento começou em 2018 e segue em ritmo acelerado

Um fato bastante preocupante é o que revela onde está mais concentrado o desmatamento. Cruzando informações sobre as áreas desmatadas com o banco de dados do Cadastro Nacional de Florestas Públicas do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), os pesquisadores do Imazon observaram que 4.915 km² foram devastados dentro de territórios federais. “Isso corresponde a 47% de todo o desmatamento registrado na Amazônia no ano passado”, alertam.

Também foi percebido um aumento no desmatamento dentro de Unidades de Conservação, as UC’s, criadas justamente para proteger a biodiversidade brasileiras. Nesses locais, houve um salto de 10% entre 2020 e 2021.

“Para combater o desmatamento, é necessário intensificar a fiscalização, principalmente nas áreas mais críticas. Aplicar multas e embargar áreas desmatadas ilegalmente”, ressalta Larissa.

Pior índice dos últimos dez anos: aumento do desmatamento na Amazônia chega a quase 30% em 2021

As supostas áreas protegidas onde a destruição continua sem freio

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*O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), desenvolvido pelo Imazon, é uma ferramenta que utiliza imagens de satélites (incluindo radar) para monitorar a floresta. Além do SAD, existem outras plataformas que vigiam a Amazônia: Deter, do Inpe, e o GLAD, da Universidade de Maryland. Todas são importantes para a proteção ambiental, pois garantem a vigilância da floresta e a emissão de alertas dos locais onde há registro de desmatamento. Os dados fornecidos ajudam os órgãos de controle a planejarem operações de fiscalização e identificarem desmatadores ilegais.

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Foto: Felipe Werneck/Ibama via flickr e gráficos Imazon

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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