Pioneira, Florianópolis implanta coleta de resíduos orgânicos ‘porta a porta’

A prefeitura da capital catarinense deu mais um passo importante para cumprir as metas do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos até 2030. E quer transformar Florianópolis em cidade pioneira na coleta de resíduos em três sistemas: recicláveis secos (43%, já adotada)orgânico (35%, sendo 24% restos de alimentos e 11% resíduos verdes)rejeitos (22%).

O objetivo agora é reciclar 60% dos resíduos secos (recicláveis) e 90% dos orgânicos. E a adoção de medidas nesse sentido pode garantir uma economia de 50 milhões de reais/ano com transporte e aterramento sanitário, além dos ganhos obtidos com a reciclagem.

Pouco mais de 10% desse montante – 12 milhões de reais/ano – correspondem aos orgânicos que, hoje, são descartados de maneira convencional – misturados a outros resíduos, como rejeitos – e encaminhados aos aterros sanitários.

Com a coleta porta a porta, pelo menos 22 toneladas de restos de alimentos por mês deixarão de ser depositadas nos aterros.

Este ano, a prefeitura investiu 10 milhões de reais em equipamentos para incrementar a coleta seletiva na Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital, responsável pelos serviços de coleta de resíduos sólidos e limpeza pública). Entre eles, estão quatro caminhões satélites – para orgânicos e vidro.

Resíduos verdes

Foto: Athree23/Pixabay

A primeira etapa do plano da coleta de orgânicos foi colocada em prática em 5 de junho deste ano e se refere à coleta seletiva domiciliar de resíduos verdes, ou seja, restos de poda e de grama ou queda natural de galhos e folhas em quintais, jardins e calçadas.

Desde que o serviço foi implantado, a prefeitura já coletou mais de 3 mil toneladas de verdes pela Comcap, que inclui serviços realizados porta a porta, como também a remoção e a entrega voluntária nos ecopontos da cidade.

Devido à pandemia da covid-19, este ano foram realizadas três podas em cada região da cidade. Mas o plano contempla um aumento de 30% do serviço porta a porta em 2021, quando poderão ser realizadas cinco coletas de verdes.

Investimentos e redes de apoio

Foto: Divulgação/Comcap

No ano passado, em parceria com a Associação Orgânica, a Comcap processou 1,4 mil toneladas de resíduos orgânicos (restos de alimentos). No ano que vem, o objetivo é aumentar para 17,5 mil toneladas.

Deste total, cerca de 2,1 mil toneladas atendem a meta do projeto de valorização de orgânicos contemplado, por meio do edital do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), com 1 milhão de reais do Fundo Socioambiental da Caixa.

Com esse dinheiro, até agora foram comprados duas caminhonetes, 900 bombonas e 2 mil baldinhos. E, este ano, a prefeitura ainda investiu R$ 10 milhões em equipamentos para coleta seletiva na Comcap, que possibilitaram a compra de quatro “caminhões satélites” para a coleta de orgânicos e de vidro.

O projeto de valorização de orgânicos se soma a outras iniciativas de compostagem urbana, que doam minhocários para compostagem domiciliar, incentivando os cidadãos a reduzirem a pegada de carbono. É o caso da Minhoca na Cabeça.

A cidade também conta com, pelo menos, 30 pátios de compostagem e pontos de entrega de orgânicos.

Desde o final de novembro, todos os Ecopontos da Comcap (instalados nos bairros Itacorubi, Canasvieiras, Capoeiras e Morro das Pedras) e o Jardim Botânico de Florianópolis são pontos de entrega voluntária (PEVs) de orgânicos. E ainda há parceiros comprometidos com essa ação: Pacuca, no Campeche, e Revolução dos Baldinhos, no Monte Cristo.

O adubo resultante da compostagem é aplicado em projetos de agricultura urbana.

Projeto experimental

Foto: Divulgação/Comcap

Dois condomínios residenciais do bairro de Itacorubi foram escolhidos para a realização do projeto piloto da coletiva seletiva de orgânicos pela Comcap, em parceria com a Associacao Orgânica.

Isso representa, em média, 8,7 quilos de orgânicos por unidade habitacional: um quilo acima do estimado pela prefeitura de acordo com a caracterização de resíduos de Florianópolis.

O projeto foi muito bem sucedido e será replicado em onze condomínios do entorno dos primeiros contemplados, já a partir desta semana. São 700 unidades habitacionais – onde vivem cerca de duas mil pessoas – que geram estimadas 18 toneladas de resíduos orgânicos por mês.

A coleta dos resíduos deixados pelos moradores nas bombonas ou em contêineres instalados pela Comcap em pontos definidos foi realizada duas vezes por semana (terças e sextas-feiras). E assim continuará sendo realizada nessa região.

Consumo consciente

O plano de coleta de resíduos está sendo muito bem encaminhado em Florianópolis e projetará a cidade cada vez mais em relação a esse tema. Mas não basta dar um bom destino para a quantidade de resíduos gerada por seus moradores. Uma ação ainda mais efetiva deve ser implantada antes da geração desses resíduos.

Falo do investimento em educação ambiental e sobre consumo consciente para que a produção de resíduos – de qualquer natureza – seja reduzida, evitando desperdício e levando à redução na quantidade de resíduos descartados, o que implicaria em economia para a gestão da prefeitura.

Com informações da Prefeitura de Florianópolis

Foto (destaque): Marco Verch/Flickr

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta