Pinguins são devolvidos ao mar no sul do Brasil: entre eles, um que recebeu pele sintética por causa de ferida na cabeça

Pinguins são devolvidos ao mar no sul do Brasil: entre eles, um que recebeu pele sintética por causa de ferida na cabeça

Nada como uma notícia bacana em tempos tão difíceis como o que estamos vivendo. A boa nova vem de Florianópolis, em Santa Catarina, onde um grupo de pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) foi devolvido ao mar, solto na Praia do Moçambique, graças ao trabalho da organização R3 Animal*.

Os seis pinguins, que agora retornam à vida selvagem, foram encontrados no ano passado, em diferentes praias do litoral catarinense.

Pinguins são devolvidos ao mar no sul do Brasil: entre eles, um que recebeu pele sintética por causa de ferida na cabeça

Os pinguins a caminho do mar

“Os pinguins que chegam às nossas praias todos os anos são provenientes de colônias na Patagônia. A partir do outono, eles migram para o Norte seguindo os cardumes de peixes e as correntes de água fria. A maioria está em seu primeiro ano de vida e, após a longa viagem, alguns pinguins se perdem dos bandos, chegando às praias fracos e desidratados, necessitando de cuidados”, explicou a R3 Animal em suas páginas nas redes sociais.

Tratamento com pele sintética

Durante os últimos meses, os pinguins passaram por um processo de reabilitação. Como ainda eram jovens, os veterinários estavam esperando que passassem pela mudança de plumagem (penas) para que pudessem ser reintroduzidos na natureza.

Mas um deles, em específico, recebeu um tratamento muito especial. O pinguim foi encontrado com uma grande e profunda ferida na cabeça. Os veterinários suspeitam que o machucado foi provocado por algum instrumento cortante, possivelmente, a hélice de uma embarcação.

Para garantir uma melhor cicatrização do ferimento, o pinguim passou por um procedimento cirúrgico e recebeu um curativo a base de hidrocolóide, similar a uma pele sintética. A responsável técnica pelos animais marinhos, a médica veterinária Marzia Antonelli, fez um estágio na África do Sul, no ano passado, e aprendeu a técnica do uso lá.

Foram quatro meses de tratamento com a pele. O curativo era trocado de tempos em tempos, ou seja, foram feitas várias aplicações (veja vídeos mais abaixo).

O grupo, já de volta à natureza, nadando na água do mar

E o resultado foi excelente! A ferida cicatrizou perfeitamente e agora o jovem pinguim pode se juntar ao grupo que deve rumar para a Patagônia, na Argentina, para reencontrar sua colônia.

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Uma recomendação importante: caso encontre um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, ligue 0800 642 3341. Sua ajuda é fundamental para salvar vidas!

*O trabalho de reabilitação de animais marinhos que a R3 Animal realiza em Florianópolis faz parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma condicionante do licenciamento ambiental para a exploração do pré-Sal conduzido pelo Ibama. O PMP-BS vai de Laguna SC até Saquarema RJ e é executado por 15 instituições diferentes.

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Fotos: divulgação R3 Animal

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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