STF aceita pedido de abertura de inquérito para investigar o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles

PGR envia pedido de abertura de inquérito para investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

*Atualizado em 03/06/21
A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia aceitou, na quarta-feira (02/02/21), o pedido do Superior Tribunal Federal para a abertura do inquérito de investigação sobre a atuação do ministro do Meio Ambiente Ambiente, Ricardo Salles, no caso dos madeireiros da Amazônia.

Abaixo segue texto original da reportagem.

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A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ontem (30/05) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A solicitação é uma resposta à análise da notícia-crime apresentada contra ele pelo delegado da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, em abril.

Superintendente da PF no Amazonas, Saraiva foi responsável pela ação que apreendeu mais de 60 mil toras de madeira nativa na Amazônia, operação que foi considerada a maior da história do país. O volume apreendido passou de 200 mil m3. A madeira foi localizada na divisa entre os estados do Pará e do Amazonas e foi avaliada em R$ 130 milhões. Provavelmente teria como destino a exportação.

Salles criticou a operação e saiu em defesa dos madeireiros. Foi até o Pará, duas vezes, uma delas pagando a viagem para jornalistas, para fazer uma “verificação” da madeira apreendida. O ministro afirmou que houve falhas na ação e que as empresas proprietárias das toras teriam razão para contestar a investigação.

Na notícia-crime enviada ao STF, Saraiva menciona “o intento (de Salles) de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública”. São citados no documento os “crimes de advocacia administrativa, obstrução às operações e organização criminosa”.

Saraiva ressaltou que apesar das toras estarem etiquetadas, os empresários não conseguiram provar ainda a posse das terras de onde a madeira foi retirada. A suspeita é de grilagem nas terras públicas da região. O delegado também destacou que uma das madeireiras envolvidas no caso já recebeu 20 autos de infração ambiental do Ibama, cujos valores de multas resultam em aproximadamente R$ 8.732.082,00.

Mesmo com todas essas provas em mãos, no dia seguinte à apresentação da notícia-crime ao STF, o delegado da PF foi exonerado do cargo de superintendente no Amazonas.

Em maio, Salles também se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, a mesma que exonerou do cargo da presidência do Ibama, Eduardo Bim. A investigação apura crimes contra a administração pública – a exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa -, que envolvem agentes públicos e empresários do setor madeireiro

Agora a relatora do caso contra Ricardo Salles no STF será a ministra Cármen Lúcia. Em nota divulgada para a imprensa, a assessoria de imprensa do ministro afirmou que “Será uma boa oportunidade para esclarecer todos os fatos”.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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