Pesquisadores registram maior população do Kãkãpõ desde os anos 70: o papagaio raro, que não voa, só existe na Nova Zelândia

Kãkãpõ (KAH-ke-poh) é a ave mais pesada do mundo e, por isso, não pode voar, nem fugir de predadores. Além disso, alguns de seus hábitos o tornam ainda mais vulneráveis: demora para se reproduzir e nidifica no chão. 

E, mesmo com suas penas muito verdes, que lhe dão a aparência de musgo e facilitam a camuflagem na natureza, a espécie quase foi extinta em meados do século XX e continua em perigo ((já contei sobre ele, aqui). 

Ele só existe em quatro pequenas ilhas na costa da Nova Zelândia e a principal razão para toda essa terrível situação está na introdução de predadores como raposas, arminhos, ratos e gatos, que começou com a colonização humana e se intensificou com a caça

Foto de Scotti Latimer para Kãkãpõ Recovery

Por isso, os esforços de conservação da espécie foram iniciados em 1894. Mas, foi a partir da década de 1970 que pesquisadores intensificaram seus estudos e lançaram um programa de recuperação da espécie, que, hoje, colhe bons frutos.

Após a segunda temporada de reprodução mais bem-sucedida já registrada – 55 filhotes sobreviveram à infância e tornaram-se juvenis -, a população atingiu 216 aves, que é o maior número de indivíduos da espécie em 50 anos. Muito a celebrar! 

De acordo com o Dr. Andrew Digby, consultor científico do programa de recuperação  do Kãkãpõ do Departamento de Conservação da Nova Zelândia, os pesquisadores estão fazendo tudo o que podem para manter as linhagens genéticas tão diversas quanto possível (ele se dedica também à pesquisa e conservação de outra ave endêmica e ameaçada de extinção no país: o takahē).

Digby explica que o excesso de paternidade por machos dominantes pode ser um problema para a espécie. Por isso, se um macho é identificado como pai de muitos filhotes, deve ser transferido para outra ilha.

O pesquisador destaca que a população atual do Kãkãpõ é tão significativa para a perpetuação da espécie, que o programa pode recuar em suas “interferências”, deixando que tudo transcorra naturalmente.

Um papagaio único

Foto de Sabine Bernert para o Departamento de Conservação de Nova Zelândia

Além de não voar, devido a seu peso, o Kãkãpõ é o único papagaio que se reproduz em sistema de harém e, possivelmente, também a ave mais longeva do mundo: há relatos que dão conta de indivíduos de até 100 anos!

Sua aparência também revela características exclusivas entre os papagaios: tem olhos voltados para a frente, parecidos com os da coruja, bigodes e um grande bico cinza, além de pernas curtas, grandes pés azuis e asas e cauda relativamente curtas.

Foto: Brodie Philip/Kãkãpõ Recovery

Foto: Jake Osborne/Creative Commons

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.