Pesquisadores e ator oferecem recompensas por informações sobre autor da gravação do nome de ‘Trump’ em peixe-boi

Atualizado em 18/1/2021 para incluir recompensa oferecida pelo ator Dave Bautista
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O animal marcado com o sobrenome de Donald Trump, em letras maiúsculas, foi encontrado nadando no rio Homosassa, em Citrus County, na costa do Golfo da Flórida, a cerca de 160 quilômetros de Orlando, no domingo, 10/1, quatro dias depois da invasão do Capitólio por apoiadores do presidente americano.

Rapidamente, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA e a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida iniciaram investigações.

E, assim que tomaram conhecimento do fato, os membros do Center for Biological Diversity (Centro de Diversidade Biológica), organização de conservacionistas sem fins lucrativos, divulgaram o oferecimento de uma recompensa – 5 mil dólares – por informações que levem ao autor do crime e sua punição por mutilação.

Os pesquisadores se mobilizaram a partir do vídeo e das fotos feitas por Hailey Warrington, capitão de um barco de uma empresa pesqueira de Crystal River, que contou ao jornal local The Sarasota Herald-Tribune: “Normalmente, não vemos peixes-boi assediados dessa forma”.

Warrington disse estava observando peixes-boi durante um passeio quando avistou o animal marcado. “Comecei a documentar peixes-boi para que pudéssemos ter relatos comprovados sobre eles e, por isso, tenho fotos e vídeo dele”. 

No dia seguinte da publicação deste texto, os sites da CNN e do jornal The Hill revelaram em seus perfis no Twitter que o ator, fisiculturista e ex-lutador de MMA, Dave Michael Bautista Jr., declarou que pagará 20 mil dólares por informações que levem o criminoso que escreveu nas costas do peixe-boi à condenação.

“E eu prometo que haverá bônus para essa recompensa!”, acrescentou ele, que é conhecido por suas atuações no filme “Guardiões da Galáxia”.

Bautista é bastante ativo politicamente em seu Twitter: apoiou a candidatura de Joe Biden – a imagem de seu perfil revela isso – e tem lutado contra a administração de Trump.

Qualquer pessoa que tiver informações sobre o crime pode fazer contato direto com a comissão que apura o caso pelo telefone (888) 404-3922.

Controvérsia sobre o crime

Foto: Hailey Warrington

Segundo o jornal NY Times, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA e o Center for Biological Diversity divergem sobre a forma como o nome de Trump foi gravado no dorso do peixe-boi.

A primeira instituição divulgou que o animal “não parecia estar gravemente ferido” e que a palavra talvez tenha sido “escrita” com uma espátula que tirou as algas incrustadas nas costas do animal, deixando as letras evidentes.
Já os pesquisadores descreveram a gravação como tendo sido “esculpida” nas costas do peixe-boi, o que poderia ter causado “cicatrizes graves“. 

“Peixes-boi não são outdoors e as pessoas não deveriam mexer com esses animais sensíveis e ameaçados por qualquer motivo”, declarou Jaclyn Lopez, diretora do centro na Flórida. E acrescentou: “No entanto, este grafite político foi colocado neste peixe-boi. É um crime interferir com essas criaturas, que são protegidas por várias leis federais”. 

Patrick Rose, diretor executivo da organização sem fins lucrativos Save the Manatee Club, viu as fotos de Warrington no dia seguinte do registro e ficou bastante incomodado.“Este é um tipo de abuso de uma espécie em perigo”, acrescentando que o peixe-boi parece ser adolescente. 

Suas considerações foram compartilhadas por outros conservacionistas, como Elizabeth Fleming, representante sênior da Flórida na organização Defenders of Wildlife.

“Esta ação abominável vai além dos limites do que é considerado cruel e desumano. Estou enojada de ver que alguém faria mal a uma criatura indefesa para enviar uma mensagem política. Faremos tudo ao nosso alcance para ajudar a encontrar, prender e processar com sucesso este covarde”. 

Três leis de proteção

Mais um detalhe da gravação feita nas costas do peixe-boi da Flórida / Foto: Hailey Warrington

Os peixes-boi fazem parte do grupo das espécies que correm risco de extinção desde 1973 e, por isso, são protegidos por três leis contra o assédio de nadadores e também embarcações, que todos os anos matam uma centena deles em colisões.

Duas leis são federais: a Lei das Espécies Ameaçadas e a Lei da Proteção dos Mamíferos Marinhos. Qualquer abuso contra o animal é considerado crime federal punível com multa de US$ 50 mil – mais de R$ 270 mil – e a até um ano de prisão.

A terceira lei é estadual: a Lei do Santuário dos Peixes-Boi da Flórida, de 1978, que diz: “é ilegal para qualquer pessoa, a qualquer momento, intencionalmente ou por negligência, irritar, molestar, assediar ou perturbar qualquer peixe-boi”.

De acordo com a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, a lei estadual diz que o autor de qualquer crime contra os peixes-bois pode enfrentar multa de até US $ 500 e até 60 dias de prisão.

Mascote não-oficial

Foto: Carol Grant / Site Visit Florida

O peixe-boi é uma espécie de mamífero grande e lento, amado pelos habitantes da região como um mascote não-oficial. Mas como não amar? Veja a foto acima.

De acordo com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem, existem cerca de 6.300 peixes-boi na Flórida. Em climas mais frios, eles costumam se reunir perto das usinas de energia do sul para se aquecer com a descarga de água quente.

Uma das atrações turísticas mais conhecidas e desejadas na Flórida é a possibilidade de nadar com os peixes-boi. Segundo as organizações que realizam esses passeios, a atividade é cercada de cuidados e ninguém toca nos animais, respeitando todas as leis: a estadual e as federais.

Estamos torcendo para que o autor desse ato tão repugnante, que colocou um indivíduo da espécie em risco e o fez sofrer, pague por seu crime. Atualizaremos este post assim que tivermos mais notícias sobre o caso.

Fotos: Hailey Warrington

Fontes: NY Times, Citrus County Chronicle

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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