Pesquisadores descobrem lagartixa fluorescente que vive no deserto da Namíbia

Apesar de pequenas – elas medem entre 10 e 15 centímetros -, as lagartixas da espécie Pachydactylus rangei, encontradas em desertos da Namíbia, na África, possuem uma característica muito especial: elas são fluorescentes! A descoberta foi feita por pesquisadores alemães e divulgada em artigo científico na publicação Scientific Reports.

“A biofluorescência é comum no mundo natural, mas apenas recentemente observamos em vertebrados terrestres. Agora relatamos a descoberta de fluorescência verde neon à base de iridóforo* na lagartixa Pachydactylus rangei, localizada na pele ao redor dos olhos e ao longo dos flancos”, descreveram os cientistas da Bavarian State Collection of Zoology (SNSB-ZSM), da Ludwig-Maximilians University e do Hochschule München.

O mecanismo, assim como o brilho da fluorescência, são únicos e sem precedentes entre os vertebrados terrestres, garantem os pesquisadores. Para eles, o mecanismo é provavelmente usado como um sinal de reconhecimento entre os indivíduos da espécie. E porque as listras estão localizadas na lateral debaixo do corpo não são visíveis a predadores, como corujas ou chacais.

“Este efeito é muito mais forte do que a fluorescência óssea que descobrimos em camaleões há três anos e é um dos fenômenos de fluorescência mais fortes observados em vertebrados terrestres até hoje”, afirma Frank Glaw, especialista em répteis e anfíbios.

Pesquisadores descobrem lagartixa fluorescente em deserto da Namíbia

A Pachydactylus rangei vista de cima, com uso de luz UV

Pesquisadores descobrem lagartixa fluorescente em deserto da Namíbia

Além da faixa lateral neon, ela possui também o mecanismo
ao redor dos olhos

A Pachydactylus rangei da Namíbia tem a pele praticamente transparente, grandes olhos e é a única espécie de lagartixa que possui os quatro dedos ligados por uma membrana, assim como algumas aves aquáticas, dessa maneira, fica mais fácil para que ela cave buracos na areia e possa se esconder dos fortes raios do sol durante o dia.

A lagartixa durante o dia

Como é uma espécie de hábitos noturnos, é sob a luz da lua que busca seus alimentos.

Abaixo, o vídeo em que o pesquisador David Prötzel fala mais sobre esta incrível descoberta:

*Iridóforos são células refletivas ou iridescentes que concedem a habilidade de camuflagem, observada em diferentes grupos animais

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Fotos: divulgação/David Prötzel

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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