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Pesquisadora brasileira está entre as 11 mulheres pioneiras da conservação mundial, eleitas pelo Disney Conservation Fund

Pesquisadora brasileira está entre as 11 mulheres pioneiras na conservação mundial, eleitas pelo Disney Conservation Fund

Para celebrar o mês Internacional da Mulher (março), o Disney Conservation Fund (DFC) selecionou 11 mulheres incríveis que atuam na conservação mundial. Entre as homenageadas está a pesquisadora Gabriela Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Como reconhecimento por sua atuação, a pesquisadora receberá 50 mil dólares, que serão reinvestidos no projeto que lidera há uma década e que deu origem ao Instituto IPÊ, organização ambiental que tem 56% dos cargos técnicos e de gestão ocupados por mulheres. Sua fundadora e diretora-presidente é Suzana da Pádua.

A coexistência entre pessoas e a natureza

Quando assumiu a coordenação do projeto de conservação do mico-leão-preto, Gabriela cursava um MBA e um doutorado, estava grávida e deu à luz a duas meninas. Um processo criativo imenso! 

“Fico muito honrada com esse reconhecimento do Fundo de Conservação Disney, afinal neste mês é importante contarmos com ações práticas que reconheçam e apoiem o importante papel desempenhado por nós, mulheres, na conservação de espécies”, destaca Gabi, que explica como o prêmio será aplicado.

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“Com esse recurso será possível avançar nas ações de manejo populacional e do habitat no Pontal do Paranapanema, consolidar nosso programa de Saúde Única, avançar nas pesquisas usando bioacústica e sobre o impacto das mudanças climáticas nos micos, além de desenvolver diversas ações de educação ambiental e comunicação”.

Para o DCF, “Gabi tem defendido incansavelmente a coexistência entre as pessoas e a natureza, ao mesmo tempo em que expande os habitats protegidos para os micos e aumenta a conectividade florestal através de técnicas inovadoras de gestão de habitats”.

E finaiza: “Suas metodologias de investigação pioneiras abriram caminho para uma compreensão mais profunda destes animais, enquanto seus esforços na gestão populacional ofereceram uma ‘tábua de salvação’ para populações minúsculas e isoladas”.

Foto; Leonardo Silva

O impacto do projeto 

Desde 2005, o Disney Conservation Fund é um dos principais financiadores do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, em diversos ciclos, apoiando ações nas frentes de pesquisa (sobre a espécie e manejo das populações),educação ambiental e conservação (proteção e restauração do habitat).

Entre os principais resultados obtidos pelo projeto – que contou com uma importante rede de parceiros, apoiadores e financiadores – está a melhoria da situação do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) de acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Em 2008, após 24 anos de ações voltadas à sua conservação, a espécie passou de Criticamente Ameaçado para Em Perigo na lista da organização. Agora, o desafio é conquistar a classificação como Vulnerável. E assim por diante.

Pesquisa de aplicação prática

Espécie endêmica do estado de São Paulo, o mico-leão-preto conta apenas com cerca de 1.800 indivíduos na natureza, sendo 60% na região do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste paulista. 

Para melhorar a situação da espécie, como indicado acima, as pesquisas de campo do Programa de Conservação do Mico-Preto embasam ações em três frentes principais: melhoria da qualidade e conectividade do habitat, manejo de populações e educação ambiental.

Na primeira, Gabi destaca a criação e a ampliação de áreas protegidas para a conservação da espécie, como a Estação Ecológica Mico-leão-preto (ICMBio) e a ASPE Mico-leão-preto – Área sob Atenção Especial do Estado em Estudo para Expansão da Conservação da Biodiversidade (gerida pela Fundação Florestal).

Além disso, foi identificado o aumento da conectividade de fragmentos florestais no Pontal do Paranapanema/SP, que orienta os Corredores de Vida, outro projeto do IPÊ. 

maior corredor florestal já restaurado na Mata Atlântica conecta o Parque Estadual Morro do Diabo (Fundação Florestal de São Paulo) à Estação Ecológica do Mico-leão-preto (ICMBio) com 2,4 milhões de árvores, em 12 km.

O financiamento do Fundo Disney também deu suporte às ações desse corredor.

Já em relação ao manejo de populações, desde 1995 o projeto tem essa área como aliada estratégica para garantir a viabilidade das populações. Naquele ano, pesquisadores fizeram a reintrodução de uma população de micos-leões-pretos em um fragmento no Pontal do Paranapanema, onde a espécie estava localmente extinta. 

“O IPÊ acompanha esses grupos de micos desde então e sabemos que essa nova população conseguiu se estabelecer e permanecer na área. Por isso, planejamos realizar, em breve, um censo para avaliar se essa população é viável ou se precisamos de mais ações de manejo para torná-la autossustentável no longo prazo”, explica Gabi.

Ela ainda destaca a importância de alinhar ações de manejo metapopulacional com melhorias do habitat. “O manejo de populações é uma estratégia de curto prazo que deve ser trabalhada junto com o manejo do habitat – a restauração, para garantirmos a sobrevivência das populações”.

Educação Ambiental

A educação ambiental também está na identidade do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto como forma de levar informação científica aos alunos, em especial de escolas públicas, e contribuir com a formação de professores em municípios estratégicos para a proteção do mico no Pontal do Paranapanema. 

O programa também desenvolve materiais didáticos para orientar ações pedagógicas nas escolas e organiza atividades de contato com a natureza para os alunos da região no Parque Estadual Morro do Diabo, onde está localizada a Trilha do Mico-leão-preto e onde vive a maior população conhecida de micos, com cerca de 1.200 indivíduos. 

Nessas atividades, os participantes têm a chance de ouvir (ou até mesmo ver) os micos e, em algumas ocasiões, contribuir para a melhoria da qualidade do habitat através de ações de plantio de mudas nativas.

Ecologia da espécie

Todas essas ações de conservação são pautadas por resultados de pesquisas sobre a ecologia da espécie. Essas pesquisas, realizadas e orientadas por Gabriela, possibilitam traçar estratégias capazes de melhorar a qualidade das florestas para os micos na Mata Atlântica e apoiar os planos de ação para a conservação de primatas no Brasil e no mundo. 

Medidas nessa direção já incluíram a instalação de ocos artificiais (foto de destaque deste post) que são estratégicos para os micos terem onde se abrigar e dormir em florestas fruto de restauração florestal, uma vez que em jovens florestas não há ocos naturais. Esta ação dos ocos artificiais (teste do modelo e instalação) foi viabilizada de 2017 a 2020 com recursos do Disney Conservation Fund.

Outra pesquisa desenvolvida pelo Programa se refere ao monitoramento de grupos de micos por meio de GPS e acelerômetros (dispositivos presentes na mochila que os micos carregam e que registra todo o movimento feito por eles), que permitiu estimar pela primeira vez o gasto energético diário dos indivíduos. 

“É como se fosse o primeiro estudo a mostrar que para seres humanos é recomendado o consumo diário de 2 mil kcal e todas as dietas são baseadas nesse valor”, comentou a pesquisadora na época.

Conheça as outras 10 mulheres incríveis, colegas de prêmio de Gabi, aqui.

Leia também:
Pesquisadoras brasileiras recebem o maior prêmio de conservação ambiental do mundo
(Patrícia Médici e Gabriela Rezende, ambas do Ipê)

Foto: Katie Garrett, WFN (Whitley Fund for Nature/Reino Unido)

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Fotos: Instituto Ipê/divulgação

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